Aeroportos ::..

Este meio de transporte está direcionado principalmente para o transporte de passageiros tanto do ponto de vista nacional como também internacional. Uma rede de infraestruturas constituídas por aeroportos distribuídos por todo país permite o acesso imediato a todo território nacional e ao exterior através do aeroporto internacional de 4 de Fevereiro na Capital.

A TAAG, Angola Airlenes, constitui a companhia de bandeira que opera por todo o país e assegura as ligações com as seguintes capitais:

Continente

Capitais

ÁFRICA

Johannesburgo
Windhoek
Harare
São Tomé
Kinshasa
Brazzaville, Ponta Negra
Lusaka
Sal

EUROPA

Lisboa
Moscovo
Paris

AMÉRICA

Rio de Janeiro
Havana

..:: TOPO
Agências ::..

Agências de Viagens

Em consequência do grande afluxo de visitantes estrangeiros que nos últimos anos têm afluído ao País, verifica-se uma dinâmica crescente do número de agências de viagens concentradas fundamentalmente na Capital e em algumas províncias como Benguela e Huíla.

No entanto, este segmento do mercado necessita de novos fluxos de investimentos nomeadamente no domínio de meios de transportes, equipamentos de comunicação e outros meios e serviços modernos, para o seu reequipamento e a entrada de novos agentes para a cobertura das rotas internacionais de turismo.

AGÊNCIAS DE VIAGENS E HOTELARIA

Província
n° de Hotéis
n° quarto
Bengo
2
40
Benguela
16
484
Bié
5
143
Cabinda
4
124
Cunene
-
-
Huambo
13
444
Huíla
12
398
K.Kubango
1
36
K.Norte
3
83
K.Sul
7
165
Luanda
22
1306
L.Norte
1
12
L.Sul
2
107
Malange
3
96
Moxico
4
118
Namibe
4
131
Uige
4
148
Zaire
-
-
Total
103
3835

Hotelaria

Uma grande prioridade do ministro da Hotelaria e Turismo de Angola, Dr. Jorge Valentim, é a reabilitação, em todo o espaço nacional das infra-estruturas hoteleiras e turísticas, criando assim um substrato necessário para atrair e albergar os visitantes, tanto nacionais como estrangeiros.

Como estratégias para atrair investimentos para este setor, o Ministério de Hotelaria e Turismo tem transmitido de forma objetiva e realista as perspectivas de um futuro pacífico em angola e as grandes potencialidades turísticas, com um futuro pacífico em Angola e as grandes potencialidades turísticas, com um povo generoso e acolhedor.

O Ministério tem trabalhado para a formação de profissionais capacitados, e para tanto investindo na reabilitação e apetrechamento das escolas de hotelaria e turismo nomeadamente; o Hotel Escola Alameda em Luanda e outros a serem reabilitados em cabinda, Huambo, Lobito, Benguela, Huíla e Namibe.

..:: HOTÉIS ::..

LUANDA
Hotel Alameda
Alameda Manuel Van-Dúnen Luanda
Tel.: 342411, 344667
Telex: 4085

Hotel Continental
R. Manuel Fernando Caldeira, 2 Caixa Postal 5150 - Luanda Tel.: 334241/2/3/4, 392354 Fax: 392735

Hotel Costa do Sol
Estrada da Corimba, Km 7 Luanda
Tel.: 354289, 354264 Telex: 4115

Hotel Mundial
R. Conselheiro Júlio de Vilhena, 14 ; Caixa Postal 1630 - Luanda
Tel.: 336141/5
Telex: 3029
Fax: 337239

Hotel Panorama
R. Ilha do Cabo Luanda
Tel.: 337841/3/5 Telex: 3393

Hotel Presidente - Le Meridien
Largo 4 de Feverei ro
Caixa Postal 5791 - Luanda Tel.: 330037/48,334134/47
Telex: 3417, 3120
Fax: 331141

Hotel Tivoli
R. da Missão, 85
Caixa Postal 2049 - Luanda Tel.: 392292, 393727, 391593 Fax: 337239, 391128

Hotel Trópico
R. da Missão, 103 Luanda
Tel.: 391448 Telex: 3316 Fax:391798

BENGUELA
Hotel M'ombaka

Benguela
Tel./Fax: 072/34621,4487 Luanda - 324365, 324430

LOBITO
Hotel Navegante

R. 25 de Abril, 52 A Zona Comercial, Lobito Tel.: 071/24482

CABINDA
Hotel Maiombe

R. Dr. Agostinho Neto
Te!.: 031/22837,22594,22572 Fax: 031/397037

LUBANGO
Grande Hotel da Huíla

R. Dr. Agostinho Neto, 100 Caixa Postal 54
Te!.: 061/20512,20587,20537 Fax:06121524

..:: TOPO
Atractivos ::..

Bengo CAPITAL: CAXITO

Distâncias em km a partir do Caxito : Luanda 55 - Uíge 295; 

Indicativo telefónico : 034.

Turismo : O Turismo encontra sua maior expressão na existência de um Parque de dimensão Nacional, o da Kissama, a reserva especial do Mumbondo, a Coutada do Ambriz e extensas praias, sendo de destacar a da Pambala para além de outras áreas de interesse turístico.

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Benguela CAPITAL: BENGUELA

Distâncias em km a partir de Benguela : Luanda 692 - Sumbe 208 - Lobito 33; 

Indicativo telefónico : 072.

Turismo : São famosas as praias de Benguela: Na cidade do mesmo nome temos a Praia Morena, Baía Azul e Caotinha, e no Lobito a praia da Restinga.

Pode-se ainda assinalar lugares históricos dignos de visita como Fortaleza de S. Sebastião no Egipto Praia, o forte de S. Pedro na Catumbela.

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Bié CAPITAL: KUITO

Distâncias em km a partir do Kuito : Luanda 709 - Huambo 165;                           

Indicativo telefónico : 048.

Esta província guarda no seu memorial, os feitos dos antigos reinos do planalto central como Ndulo.

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Cabinda CAPITAL: CABINDA

Distâncias em. km a partir de Cabinda : Luanda 480 - M'Banza Congo 365 Ondjiva 1.945; 
Indicativo telefónico : 031.

Possui um meio geográfico caracterizado pela floresta densa e húmida (floresta do Maiombe) predominando nos municípios de Buco-Zau e Beiize com 45 km. Persiste a savana e matas tropicais secas, nos municípios de Cabinda e Cacongo em extensões de 60 km e 47 km. 

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Cunene CAPITAL: ONDJIVA

Distâncias em km a partir de Ondjiva : Luanda 1.424 - Lubango 415.; 

Indicativo telefónico : 065.

Pertencem ao grande grupo Ambó, os povos da província do Kunene, entre os quais temos ainda os subgrupos: Vale, Cafima, Kwanyama, Kwamatwi, Dombondola e Cuangar. Na história dos povos desta província jaz na nossa memória colectiva os feitos do último rei Kwanyama, o célebre Mandume que na defesa do seu território enfrentou o poderio militar dos portugueses já na primeira década do Séc. XX.

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Huambo CAPITAL: HUAMBO

Distâncias em km a partir do Huambo : Luanda 600 - Kuito 165;

Indicativo telefónico : 041.

História-Cultura: A sua população configura o complexo sócio-cultural Ovimbundu, tido como o maioritário no país. Wambo Kalunga foi o fundador do reino do Wambo.

Hotelaria e Turismo

A rede hoteleira da Província cresceu significativamente nos últimos anos. Com o advento da Paz, vários operadores económicos de outros pontos do País têm visitado a Província com o intuito de relançar a actividade económica, com destaque na actividade comercial, hoteleira e turística.

Presentemente o sector controla 14 hotéis, 36 pensões e 80 restaurantes de entre os quais funcionam apenas 3 unidades hoteleiras, 4 pensões e 26 restaurantes.

No que diz respeito o lazer, a Província possui como potenciais pontos de atracção turística, a granja Pôr do Sol, Jardim Zoológico, o Centro de Desenvolvimento da Chianga, as Albufeiras do Cuando, N' gove, as Águas Térmicas do Wama, Lépi, o Complexo Turístico da Ilha dos Amores na Ekunha, as Pedras do Kawe na Caála e outros propiciarão um novo alento a diferentes turístas nacionais e estrangeiros.

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Huíla CAPITAL: LUBANGO

Distâncias em km a partir do Lubango : Luanda 1.015 Namibe 225;                         

Indicativo telefónico : 061.

Turismo: Cascata da Hungueira, Serra da Tundavala, Serra da Leba, grutas de Ondimba e o Parque do Bicuar.

Cultura: Os povos desta província pertencem ao complexo sócio-cultural Nyaneka-Nkumbe.

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Kuando Kubango

CAPITAL: MENONGUE

Distâncias em km a partir do Menongue : Luanda 1.051 . Kuito 342; 

Indicativo telefónico : 049.

TURISMO: A Província possui potencialidades turísticas. Existem na Província áreas demarcadas de grandes relevância para coutadas. Coutada do Quirangozi-Mavinga, Luiana, Luengue, Mucusso, assim como as montanhas do Malova, Mbototo, quedas do rio Kutato e Forte Muene Vunongue, Ilha de S.Vicente, Centro histórico do Missombo e a Barragem do Cambumbe.

A Província caracteriza-se por três grandes zonas de vegetação, maioritariamente compostas por floresta densa seca, savana com arbustos e árvores na metade setentrional, savana com arbustos, bosques e balcedos na faixa meridional e, savana com arbustos no quadrante noroeste. No sudoeste pode-se destacar a reserva parcial de Luiana caracterizada por madeira preciosa espécies de mussivi, girassonde, mumue, mupanda muiunga, entre outras.


FAUNA

Das espécies de animais que habitam no território do Kuando Kubango destacam-se as seguintes: palanca real, elefantes, rinocerontes, hipopótamo, nguelengue, ngunga, leão leopardo, hiena, onça, pacaça, javali, mabeco, cágado, e avestruz, palanca preta vulgar caeni, pangolim tanto como uma diversidade de aves e répteis.


FLORA

As reservas, parques e cotadas estão caracterizados da seguinte maneira:

a) Reserva parcial do Luiana estabelecido como reserva parcial em 17 de
setembro de 1966 com a extensão de 8.400 km2;
b) Reserva parcial de Mavinga estabelecida como reserva parcial em 17 de
Setembro de 1966 com uma extensão de 5.950 km2;
c) Cotada pública do Mukusso criada em 15 de Julho de 1959 com uma
extensão de 25.000 km2;
d) Cotada pública de Luiana criada em 15 de Julho de 1959 com uma extensão
de 13.950 km2;
e) Cotada pública do Luengue criada em 15 de Julho de 1959 com uma extensão
de 16.700 km2;
f) Cotada pública de Mavinga criada em 06 de Julho de 1960 com uma extensão
de 28.750 km2;
g) Parque natural regional do Cuelei com uma extensão de 4.500 km2.

TRANSPORTES AÉREO: O mercado é explorado pela companhia aérea Nacional TAAG com 4 voos regulares de passageiros por semana, carecendo a sua Delegação de reabilitação por formas a, condignamente, atender os seus clientes.

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Kwanza Norte

CAPITAL: N'DALATANDO

Distâncias em km a partir de N'Dalatando : Luanda 248 Malanje 175;                

Indicativo telefónico : 035.

O Kwanza Norte confina com o Bengo a oeste, Uíge a norte, Malanje a leste e Kwanza Sul a sul. É região de planaltos e florestas, de clima tropical húmido, apresenta uma temperatura média entre os 22 e os 24°C.

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Kwanza Sul

CAPITAL: SUMBE

Distâncias em km a partir do Sumbe : Luanda 492 Benguela 208;                       

Indicativo telefónico : 036.

Turismo : existem 6 entidades promotoras de espetáculos e divertimentos públicos com 66 centros de diversão pública, sendo 8 centros recreativos e culturais, 3 boites, 6 discotecas, 3 dancings, 8 cinemas, 5 salões de farra e 33 vídeo-games. Possui 14 bibliotecas com freqüência de mais de 1000 leitores por ano, 37 artístas plásticos, 9 grupos musicais,7 grupos teatrais, 20 de danças tradicionais e 37 de dança moderna, 16 grupos corais e 137 músicos.

A Cachoeiras da Binga (cascata ou quedas de água no rio Cuvo) na Conda; a foz do Rio Queve na Chicucula (uma atracção para a pesca desportiva); as pinturas rupestres no Quicombo; a Tokota (águas térmicas-sauna) no Nhime - Conda; a foz do rio Longa (fendas ou cascatas nos morros) em Hogiwa - Porto amboim; e a Lagoa Chinga/Bumba na Kilenda; além das lindas Praias, são potencialidades turísticas.

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Luanda

CAPITAL: LUANDA

Distâncias em km a partir de Luanda : Cabinda 480 - Benguela 692 - Ondjiva 1.424; 

Indicativo telefónico : 02 - telemóvel 09.

Turismo : Luanda possui um conjunto de hotéis satisfatório. Eis os melhores: Meridien Presidente, Tivoli, Trópico, Continental, Panorama (em reabilitação) e Costa do Sol.

Forte tradição culinária, grande número de bons cozinheiros, boa variedade e qualidade de peixe e marisco. boa carne, fortes condimentos e sortido de restaurantes apreciável; são características que permitem afirmar que se come bem em Luanda.

Os Axiluanda consideram-se como Caluandas puros, distinguindo-se assim do resto da população da cidade, Caluandas de muitas origens. São pescadores e mantêm uma forte identidade cultural; o que é evidente em grandes manifestações, culturais, como o Carnaval ou no seu próprio dia-a-dia. 

O aluguel de pequenos aviões, cargueiros e hélis é também feito sem grandes dificuldades.

O tom vermelho das terras, o azul do céu, o outro azul do mar e os verdes que aqui e ali, furam as extensões semi-áridas onde imperam o imbondeiro e o cacto candelabro, encantam os sentidos e tornam a região a sul de Luanda num quadro de invulgar e inesperada beleza.

O Mussulo é realmente a pérola de Luanda, com grande potencial turístico. A língua de terra coberta por mangais e coqueiros é um local muito especial para os melhores momentos de lazer. Na contra-costa, habitam os pescadores nas suas cubatas tradicionais. Desse lado a praia é ampla, de areia branca e deserta, quase sempre. Do outro lado - a baía, é o Mussulo turístico, onde foram construídas casas de fim-de-semana e o complexo turístico Onjango com restaurante, bar, bungalows e desportos aquáticos dentre outros serviços. A baía é justamente famosa por ser um portentoso viveiro das melhores espécies de peixe: o pargo, a garoupa e a pescada são os mais comuns, fazendo as delícias dos aficcionados da pesca ao corrico.
As águas calmas, fechadas, são favoráveis também aos desportos náuticos, embora por vezes haja correntes provocadas pelas marés.

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Lunda Norte

CAPITAL: LUCAPA

Distâncias em km a partir de Lucapa : Luanda 1.175 - Saurimo 135;
Indicativo telefónico : 052.

Terra de mistério antigo, parece ter sido primitivamente habitada pelos pigmeus, hoje encontrados um pouco mais a norte, na região dos grandes lagos. Esses primitivos habitantes viriam a ser deslocados definitivamente pelas várias tribos bantu que na sua migração para sul ocupariam a totalidade do território de Angola.

A Lunda-Norte é, em síntese, uma região de savana pouco arborizada. Todavia, a região possui alguns recursos florestais localizados fundamentalmente nos Municípios de Cambulo e Capenda-Camulemba.

A diversidade da fauna compreende mamíferos de grande porte, aves diversas, répteis, batráquios, peixes e numeroso grupo de vertebrados (antópolos, coleópteros, fauna do solo, etc.)

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Lunda Sul

CAPITAL: SAURIMO

Distâncias em km a partir de Saurimo : Luanda .039 - Lucapa 135;
Indicativo telefónico : 053.

Os povos lunda-quiocos herdaram fabulosa riqueza etnográfica e a sua escola esculturica é das mais notáveis de toda a África. Estes povos construíram uma civilização ara além das fronteiras de Angola, conhecidos internacionalmente por Tchokwe. A arte Tchokwe foi disseminada por coleccionares pelos cinco continentes e está presente nos maiores museus.

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Malange

CAPITAL: MALANJE

Distâncias em km a partir de Malanje : Luanda 423 - N'Dalatando 175;
Indicativo telefónico : 051.

Complexo Sócio-Cultural Ambundu

Existem na Província diferentes grupos etno, linguísticos tais: como (Kimbundo, Bangalas, Bondos e Songos), que ocupam a parte Centro e Sul da Província e os Gingas que ocupam a parte Norte de Malanje. Existem também outros grupos etno, linguísticos nomeadamente Umbundos, Kiokos, Suelas, que ocupam a parte planáltica da Província.

Monumento: Forte de Cabatuquila no Morro de Cabatuquila sitiado ao Poço mais antigo de Malange no Bairro da Vila;
Monumento: Ruínas de Duque de Bragança no Município de Calandula sitiado em Matari ya Ginga no Município de Malanje;
Monumento: Igreja Metodista Unida em Quéssua  sitiada em Poço da Sé Catedral na Igreja Católica Central.
Monumento: Antigo Palácio na Cidade de Malanje sitiado em Manivela Mais Antiga no Bairro da Quizanga.

Quanto ao lazer, é de realçar o facto da natureza, nesta Província ter proporcionado aos seus habitantes pontos turísticos bastante atraentes, tais são os casos das famosas cataratas de Kalandula, as sempre naturais Pedras Negras de Pungo Andongo, a convidativa Baixa de Cassange, os parques nacionais do Bembo e Luando, onde pode-se encontrar a imponente Palanca Negra Gigante, assim como as cataratas do Porto Condo em Kangandala.

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Moxico

CAPITAL: LUENA

Distâncias em km a partir de Luena: Luanda 1.314 Saurimo 265;

Indicativo telefónico: 054.

Cultura: Complexo constituído por Tchókues, Luchazes, Luvales, Umdundus, Lunda-Dembos, Bundas e outros pequenos grupos étnicos linguísticos.

O parque nacional de Cameia com uma área de 14.450 Km2, alberga espécies animais de grande interesse.

Turismo
Cangongo (Luena), Lago Calundo (Leua), Lago Dilolo (Luacano), Parque Nacional da Cameia e quedas do rio Luizavo (Alto Zambeze) que não são exploradas, por falta de investimentos.

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Namibe

CAPITAL: NAMIBE

Distâncias em km a partir do Namibe: Luanda 1.234 - Lubango 225;                    

Indicativo telefónico: 064.

Cultura: Complexo Sócio Cultural Herero em que abundam os Povos Kuvales. A Província possui duas salas de espetáculos, uma biblioteca e o Museu da Província. A Província possui cerca de 1.379 km de estradas primárias e secundárias, sendo 524 km de estrada asfaltada e 855 km de estrada em terra batida. As principais vias asfaltadas são Namibe-Tômbwa, Namibe-Bentiaba-Lucira e Namibe-Lubango. A Província possui um aeroporto com dimensões internacionais, situado a cerca de 7 Km da cidade.

Existem ainda pequenos aeródromos (20 no total), sendo de destacar os da Lucira, Tômbwa, Bibala e Bentiaba em terra batida e uma pavimentada na Baía dos Tigres, capazes de receber pequenas aeronaves. Os transportes marítimos englobam cinco empresas, nomeadamente, Empresa: Portuária, Cabotang, Agenang, Secil Marítima e Capitania do Porto do Namibe.Existe um caminho de ferro Namibe-Menongue com 907 Km. Partindo do Namibe o caminho de ferro alcança o Menongue passando por Bibala, Lubango e Matala.A zona piscatória do Namibe, é a mais importante do País, representando mais de 65% de toda actividade pesqueira.A Província de Namibe é um dos mais privilegiados centros turísticos do país, porque tem mar, deserto e savana, apresentando um magnífico quadro natural, com um clima considerado o melhor de toda a costa litoral de Angola. Desta forma, chama para si excelentes condições para desenvolvimento da indústria turística.

Entre as cidades de Namibe e Tômbwa encontra-se a Welwitschia Mirabilis , espécie única no Mundo, com aparência de um polvo gigante, símbolo da resistência e sobrevivência da vida vegetal e animal do deserto.

A Província conta com cerca de 108 unidades hoteleiras e similares em funcionamento das 133 existentes.

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Uíge

CAPITAL: UÍGE

Distâncias em km a partir do Uíge : Luanda 345 - M'Banza Congo 314; 
Indicativo telefónico: 033.

Cultura: Complexo Sócio Cultural Bakongo, são locutores do Kikongo.

Turísmo: o ramo dispõe de: 8 hotéis, 8 pensões, 75 restaurantes, 4 centros recreativos, 5 baites, 23 lanchonetes e, 1 dancing.

A Flora e Fauna com espécies de animais e plantas raras e típicas - Pedras denominadas agulhas do Zalala - Morros do alto Cauale - Quedas do Massau de Camulungo - Lagoas e Rios em savanas abertas - Verdadeira paisagística Artesanatos em junco, madeira e marfim - Pontes de lianas (cordas) - Mascaras de vários tipos - Instrumentos musicais típicos - Cafezeiros em flores e a Lagoa com o mesmo nome - as ricas Serras e Savanas bem como as ruínas da fortaleza do Bembe - Velhos monumentos da cidade do Uíge e belíssimas Vilas - Pinturas rupestres da Cabala - Complexo piscina da cidade do Uíge - locais históricos de ocupação colonial e, fortins.A vegetação apresenta formações de florestas densas e húmidas e mosaico de balcedo-savana na região mais a oeste:O solo é do tipo ferralítico e paraferralítico. É uma região extremamente favorável à actividade agrícola.

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Zaire

CAPITAL: M'BANZA CONGO

Distâncias em Km a partir de M' Banza Congo : Luanda 481 - Uíge 314;
Indicativo telefônico: 032.

Vegetação luxuriante é mosaico de floresta e savana. Beneficiando de um clima húmido.

Província setentrional, tem fronteira fluvial (rio Congo) com o Congo Democrático que a separa da Província de Cabinda (enclave) ao norte; por terra continua a comunicar (ao norte) com aquele País, a leste com a Província do Bengo e a oeste com o oceano Atlântico.

A sua capital, M' Banza Kongo ainda apresenta algumas ruínas de outrora esplendoroso Reino do Congo.
..:: TOPO
 
Cidades ::..

Existe em Angola um sistema de parques nacionais, reservas integrais, reservas especiais, reservas parciais e coutadas de caça que, sem sombra de dúvida, constituem potenciais aliciantes para a prática do turismo cinegético, entre os quais cabe destacar os seguintes.

A fauna angolana é bastante rica e variada encontrando-se em vários pontos do território manadas de elefantes. Nos rios e lagoas há hipopótmos e crocodilos, destacando a presença de espécies como o antílope preto (A Palanca Negra, espécie raríssima como o rinoceronte branco.)

Destacam-se diversas paisagens com forte identidade da África: a famosa fenda da Tundavala e a Serra da Selva na província da Huíba, as Quedas de Calandula e Rochas de Pungo a N'dongo (Malange), Miradouro da Lua (Luanda) e a Serra da Kanda na província do Zaire.

Pelo quadro ecológico-ambiental e paisagístico que representam as fozes dos rios Cunene, Kwanza (Barra do Kwanza) e Chiloango (Cabinda) foram selecionadas para implantação de unidades a vocação turístico-hoteleira destinado ao turismo multidisciplinar de vários níveis de qualidade capaz de satisfazer os mais altos padrões exigidos universalmente.

Angola possui uma costa marítima de 650 Km, detentora de inúmeras praias com excelentes condições naturais não só do ponto de vista balnear mas como também desportivo entre as quais cabe destacar pelas suas famosidades as seguintes:

Província
Nome da Praia
Luanda
Ilha do Cabo
Mussulo
Palmerinhas
Corimba
Santiago
Benguela
Morena
Restinga
Caóta
Caotinha
Baía Azul
Baía Farta
Namibe
Das Miragens
Azul
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Ferrovias ::..

O país está dotado de uma rede ferroviária de 3.189 Km dividida em três eixos não intercomunicáveis entre si dos quais dois são de percurso interprovidencial e um interprovincial.

O Caminho de Ferro de CFB - Benguela - Cria o corredor do Lobito

Caminho de Ferro constitui para a Província, e não só, elemento catapultador fundamental para economia. Em restauração o caminho de ferro no troço Lobito-Cubal e têm obedecido um curso normal.  A principal base económica da província reside na existência do Porto do Lobito e na linha Caminhos de Ferro de Benguela (CFB). A revitalização destas 2 unidades económicas criará efeitos multiplicadores não só na Província, mas em toda a região Centro Leste servidas pelo CFB e pelo Porto Marítimo.

Caminho de Ferro de Luanda CFL - liga-se a Malange
1996 CARACTERÍSTICAS DE TRÁFEGO E DEMANDA AO LONGO DOS CORREDORES DE VIANA E MUSSEQUE CACUACO

6.1 Introdução

Para que se possa estimar o potencial para desvio do transporte público rodoviário para as ferrovias é preciso entender as características do tráfego existente nos corredores de Viana de Musseque-Cacuaco. A análise baseia-se no Estudo de Uso do Solo Urbano e Gerenciamento do Crescimento realizado pela Dar AI Handasah em 1996.
 
Os principais objetivos desse estudo foram à análise e avaliação das características do transporte existente em Luanda e a identificação das áreas gerais de problema de tráfego, tanto para os corredores de tráfego especificados, quanto para áreas críticas localizadas. A análise e avaliação dos corredores identificam as /áreas gerais de problemas e fornecem uma série de características de tráfego.

Como parte do estudo de 1996, foram feitas contagens manuais de tráfego na periferia de Luanda. Um cordão externo foi estabelecido para interceptar o tráfego de entrada e saída da cidade em um período de 12 horas, entre 07:00 e 19:00 horas. Esse cordão de intercepção de tráfego compreendia as seguintes estradas básicas:

. Ngola KiJuanji/Estrada da Conduta (Corredor Musseque-Cacuaco - Estação 23). Avenida Deolinda Rodrigues (Corredor Viana - Estação 30)
. Avenida Comandante Kima Kyenda (Estação 21)
. Lueii Ankondan (Estação 22)

Os levantamentos de tráfego envolveram uma contagem manual classificada de veículos e os resultados foram depois convertidos em passageiros por unidade de veículo e volumes de passageiros. Os resultados estão resumidos a seguir.

6.2 - Demanda de Veículos

As contagens manuais classificadas foram realizadas ao longo de um período de 12 horas (07:00-19:00). Os resultados detalhados podem ser vistos na Tabela 6.1.

Tabela 6.1: Linha de Triagem Urbana Externa: Veículos/dia - 1996
Número de Estação
Localização
Volume de tráfego
em 12 horas
para Luanda  
(07:00-19:00)
Volume de
tráfego em 12
horas de Luanda  (07:00-19:00)
Volume de tráfego
no Horário de
Pico -  para Luanda (07:30-08:30)
Volume de tráfego no Horário de Pico - 
de Luanda
(07:30-08:30)
21
Avenida Comandante  Kima Kyenda
1948
2053
201
140
22
Lueii Ankondan
5708
6008
632
883
23
Rua Ngola Kiluanji/Estrada da Conduta (Corredor Musseque-Cacuaco)
5870
4748
570
491
30
Avenida Deolinda Rodrigues (Corredor de Viana)
7098
10178
738
1090
Fluxo Total do Cordão
20624
22987
2141
2604

No total, mais de 43.000 veículos cruzaram o cordão em um período de 12 horas. Os horários básicos de pico, pela manhã e à tarde, são 07:30-08:30 e 17:00-18:00. Os picos, matinal e vespertino, representam 10,4% e 11,3% do volume total das 12 horas, respectivamente.

As seguintes conclusões principais podem ser tiradas do tráfego ao longo dos corredores de Viana e musseque-cacuaeo:

•  Pelo corredor Musseque-Cacuaco passam aproximadamente 12.000 veículos, ou 27% do total.
•  Pelo corredor de Viana passam 10.600 veículos, ou 25% do total.
•  De todos os veículos que passam pelo corredor Viana, 30% são veículos de transporte público, dos quais 15% são candongueiros.
•  A TCUL representa menos de 1 % de todos os veículos de transporte público que passam pelo corredor Viana.
•  No corredor Musseque-Cacuaco, os veículos de transporte público representam 35% do total. Destes, 27% são de candongueiros.
•  Os ônibus da TCUL representam menos de 1 % do total de veículos de transporte público.
•  Os caminhões-ônibus oferecem uma alternativa barata de transporte público, especialmente nas áreas suburbanas da periferia, onde não passam ônibus da TCUL. Oficialmente, este meio de transporte é ilegal, mas é ainda comum nas áreas rurais próximas de Luanda.
•  O período de pico matinal para Luanda ocorre entre 07:45-08:45 horas e representa uma média de 9,9% do tráfego total para a cidade. O período vespertino de pico ocorre entre 17:30-18:30, e representa 10% do total de veículos que deixam a cidade.

6.3 - Demanda PCU

A Tabela 6.2 mostra a variação de PCU que cruzam a linha de triagem. No total, aproximadamente 60.000 PCUs cruzam o cordão ao longo de 12 horas. Durante o horário matinal de pico, que ocorre entre 08: 15 e 09:45, pouco mais de 6.400 PCUs passam pelo cordão distribuído pelos 4 principais corredores. O corredor mais pesado é a Avenida Deolinda Rodrigues, onde mais de 1.400 PCUS cruzam a linha de triagem no pico vespertino, vindos de Luanda.

Tabela 6.2: PCUs que entram e Saem: Linha Triagem Externa- PCUs/dia
Estação
Localização das Estações de
contagem
Volume de
tráfego em
12-horas - para Luanda  
(07:00-19:00)
Volume de
tráfego em 12 horas- de
Luanda  
(07:00-19:00)
Volume de
tráfego no
Pico para Luanda (07:30-08:30)
Volume de tráfego
no Pico de Luanda
(07:30-08:30)
21
Avenida Comandante  Kima Kyenda
2755
2712
286
187
22
Lueii Ankondan
7777
8090
892
1194
23
Rua Ngola Kiluanji/Estrada da Conduta (Corredor Musseque-Cacuaco)
8377
6695
794
694
30
Avenida Deolinda Rodrigues (Corredor
de Viana)
9260
12986
939
1430
Fluxo Total na Linha
de Triagem
28169
30483
2911
3505

6.4 - Demanda de Passageiros

Os resultados da análise de demanda de passageiros que cruzam a linha de triagem são apresentados na Tabela 6.3.

Tabela 6.3: Linha de Triagem na Periferia Urbana: Total de Passageiros/dia - 1996
Número de Estação
Localização
Tráfego de Passageiros em 12-horas- para Luanda  (07:00-19:00)
Tráfego de Passageiros em 12 horas- de Luanda  (07:00-19:00)
Tráfego de Passageiros no Horário de Pico - para Luanda
(07:30-08:30)
Tráfego de Passageiros no Horário de Pico -
de Luanda
(07:30-08:30)
21
Avenida Comandante  Kima Kyenda
6925
9040
1315
388
22
Lueii Ankondan
42300
40366
6390
4608
23
Rua Ngola Kiluanji/Estrada da Conduta (Corredor Musseque-Cacuaco)
28732
28782
4862
4629
30
Avenida Deolinda Rodrigues (Corredor de Viana)
35389
57847
4959
7487
Total do Fluxo na Linha de Triagem
113346
136035
17526
17112

As seguintes conclusões básicas podem ser tiradas:

Cerca de 250.000 cruzam a linha de triagem entre 07:00 e 19:00 horas. Os horários de pico, matinal e vespertino, ocorrem entre 07:00-08:00 e 17:30.

18:30 respectivamente. Durante o pico matinal, 17.526 passageiros entram na cidade, enquanto 17.112 deixam-na à tarde. Esses picos, matinal e vespertino, representam 15,2% e 12,5% do total de tráfego que entra e sai de Luanda, respectivamente.
Pelos corredores de Viana e Musseque-Cacuaco passam 57.500 e 98.600 passageiros por dia (12 horas), respectivamente.

No Corredor de Viana, 71.2% de todos os passageiros usam transporte público, dos quais 34% e 42% são transportados em candongueiros e caminhões-ônibus, respectivamente. Os ônibus da TCUL representam 8% dos passageiros de transportes públicos.

No corredor de Musseque-Cacuaco 47% de todos os passageiros usam transporte público, dos quais 76% e 10% são transportados por candongueiros e caminhões-ônibus, respectivamente. Os ônibus da TCUL transportam menos de 1 % dos passageiros de transportes públicos.

Caminho de Ferro do Namibe - CFM

          O caminho de ferro Namibe-Menongue com 907 Km. Partindo do Namibe o caminho de ferro alcança o Menongue passando por Bibala, Lubango e Matala. Existem dois ramais, um para Chiange com 120 Km e outro para Cassinga com no Km. o ramal de Cassinga servia as minas de ferro aí situadas, permitindo o escoamento dos minérios através do porto mineraleiro do Saco-Mar. No troço sob a jurisdição da província que liga Namibe à Bibala efectua-se a circulação ferroviária, necessitando contudo de reabilitação urgente por se apresentar, em alguns troços, em más condições e a deteriorar-se. Programa-se a integração dos CFM a rede ferroviária nacional e regional, Caminho de Ferro de Moçâmedes (CFM).

Transportes Ferroviários

Caminhos de ferro: 3.189 km total; 2.879 km (1.555 mi) 1.067-metros gauge, 310 km (167 mi) 0.600-meter gauge. A utilização dos transportes ferroviários é limitada devido ao facto de alguns carris que ainda se encontrarem minados. O Caminho de Ferro de Benguela não se encontra operacional na totalidade da sua extensão devido a guerra civil.

Transporte de passageiros: 326.000.000 passageiros-km.

Transporte de carga: 1.720.000.000 toneladas-km.
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Gente ::..

A literatura angolana sob a forma escrita sedimenta-se apenas no século XIX. 

Porém, a criação verbal oral é bem mais antiga. Remonta aos primórdios da própria comunicação humana. Por isso, qualquer definição de literatura angolana hoje, não pode perder de vista aquele segmento a que se chama oratura ou literatura oral. Trata-se de um acervo de textos orais que podem, presentemente, serem conservados com recurso à escrita.

Conscientes do seu valor andavam alguns autores do século XIX. Não faz sentido ignorar tais aspectos, na medida em que eles traduzem muito mais do que isso. Revelam a coexistência de três tradições em que a literatura angolana se desenvolve. 

A mais antiga, a literatura oral ou oratura, é aquela que nos remete para os tempos imemoriais.

Quando, nos anos 60, o lingüista ugandês Pio Zirimu forjou o termo oratura, decorria nas universidades de Makerere no Uganda, Nairobi no Quénia e Dar-es-Salaam na Tanzânia, um debate sobre a hegemonia das línguas europeias. Mais de quarenta anos passados, são muitos os defensores da idéia segundo a qual a oratura não é apenas uma vertente das literaturas modernas em África. Encerram em si as conotações de um sistema estético, um método e uma filosofia.

Mas, se tivéssemos que acompanhar os debates que se desencadearam em Angola sobre o uso das línguas locais e das suas literaturas orais, iríamos encontrá-los nos jornais publicados em Luanda no século XIX. Tal era o vigor das reflexões que autores como Joaquim Dias Cordeiro da Matta e o suíço Héli Chatelain deixaram para a história valiosas recolhas.

No entanto: a atitude assumida por Cordeiro da Matta não pode ser comparada com a de Héli Chatelain, na medida em que, no plano do conhecimento, o primeiro desenvolve uma análise a partir de uma visão endógena. O segundo é movido por um interesse fundamentalmente etnográfico e exógeno, além de ter pretendido, segundo Geraldo Bessa Victor, "pavonear-se com o primeiro lugar, na ordem cronológica, à frente dos autores de florilégios de provérbios angolenses, prémio a que em verdade não tinha jus". 

Em todos os trabalhos de pesquisa realizados sobre a literatura oral angolana nos séculos XIX e XX, os provérbios ocuparam sempre um lugar de destaque. Merecem referência as seguintes obras: 

Elementos Gramaticais da Língua Nbundu (1864), de Saturnino de Sousa e Oliveira/Manuel Alves de Castro Francina; Kimbundu Grammar - 

Gramática Elementar do Kimbundu ou Língua de Angola (18881889), de Héli Chatelain; Philosophia Popular em Provérbios Angolenses. 

Jisabu, Jiheng'ele, Ifika ni Jinongonongo Josoneke mu Kimbundu ni Putu Kua mon'Angola (1891), de Cordeiro da Matta; 

A Collection of Umbundu Proverbs, Adages and Conundrums (1914), da West Central African Mission A.B.C.F.M; 

Missosso, volume I (1961), de Óscar Ribas; Selecção de Provérbios e Adivinhas em Umbundu (1964), do Padre José Francisco Valente; Sabedoria Cabinda - Símbolos e Provérbios (1968), do Padre Joaquim Martins; 

Filosofia Tradicional dos Cabindas (19691970), do Padre José Martins Vaz; 

Dizer Assim (versões em português de provérbios da lingua Umbundu, 1986), de Costa Andrade; Ingana Ye Mvovo Mya Bakongo (provérbios e máximas dos Bakongo, 1998), de Miguel Barroso Kyala.

No contexto plurilinguístico angolano, o provérbio tem diferentes designações. Diz-se Dlusapo na língua Umbundu; Omuhe ou Omuse em Niyanekahumbi; Ingana em Kikongo; Jisabu em Kimbundu; Ikuma ou Cikuma em Cokwe.

Dentro da classificação de textos literários orais, o provérbio representa o tipo de textos que, apesar da sua autonomia, pode no entanto entrar na construção de outros textos. Constituindo uma categoria de um conjunto que inclui ditados e máximas, caracteriza-se pela brevidade, associando-se-Ihe uma estética da transmissão de pensamentos, crenças, idéias, valores e sentimentos. No que à sua estrutura diz respeito, o provérbio é um texto sintético e de uma grande densidade semântica.

Um provérbio carrega sempre dois sentidos - literal e conotativo - implicando um significado secundário. A passagem do primeiro ao significado secundário, cuja coerência é possível detectar em determinadas circunstâncias, constitui o núcleo da sua beleza, justificando por isso o esforço de interpretação que ele exige.

A estrutura dos provérbios normalmente é bipartida, apresentando premissas em dois membros ou orações da frase, numa configuração aparentemente silogística.

Além do sentido literal e do sentido conotativo, há que referir o tema, isto é, a lição a reter, a síntese subjacente ao significado das palavras e de que se parte para a extracção da ideia, do valor, do pensamento, enfim o ensinamento moral ou filosófico. Ao incidirmos sobre o tema, estamos a dar destaque à natureza pedagógica dos provérbios, porque deste modo a eles se recorre para exprimir algo que diga respeito aos diferentes aspectos da vida.

O jurista angolano Moisés Mbambi, enquanto falante da língua umbundu, seleccionou um conjunto de provérbios contendo princípios jurídicos fundamentais do direito, expondo a sua interpretação no contexto do pensamento jurídico de origem ocidental, mais especificamente dos diversos ramos de direito.

Com o elenco que se segue, exemplifico o exercício de interpretação dos provérbios veiculados em Umbundu, uma das línguas Bantu faladas em Angola.

Ekepa kalilinasi l'ositu, omunu kavokendi lomwenho (o osso não é deitado fora com a carne, a pessoa não é sepultada com vida).

O osso está para a carne assim como a pessoa está para a vida. Este provérbio pode ser proferido quando se pretende ensinar ou elucidar alguém sobre a importância da relação existente entre a pessoa, as partes do seu corpo e a própria vida. A relação existencial que se observa nas duas orações do provérbio, permitem inferir a construção de uma metonímia, pois o valor da carne e da pessoa humana é aferido por uma das suas partes. É que não há carne sem osso, mas também não há vida humana sem pessoa.

Ekova k'omanu, ochipa k'inhama (a pele humana caracteriza as pessoas, a pele dos animais tem um nome diferente).

Não se deve confundir a pessoa com os animais. Apesar da pessoa e os animais possuírem pele, há na sua aparência uma diferença essencial e profunda; O que permite distinguí-los. Por isso, tendo em atenção à dignidade humana, não se pode maltratar as pessoas como se fossem animais. Se quiser ser tratado como pessoa, deve cuidar mais da higiene, para não se assemelhar a um animal. A metonímia observa-se aqui igualmente. A aparente semelhança das partes não pode ser critério para avaliar o todo de duas realidades distintas.

Ekova liyetimba, olondunge k'utima (a pele cobre o corpo humano, o juízo - ou a responsabilidade moral cobre o coração humano).

Do mesmo modo que o corpo revela o aspecto físico exterior, assim o grau de responsabilidade e integridade moral determinam o carácter da pessoa. O aspecto físico exterior não traduz o valor e responsabilidade morais de uma pessoa. Os homens não se medem pela estatura física. Antes pelo contrário, valem pela sua dimensão espiritual e interior.

Onjimbo l'elungi, omunu l'onjo (o papa-formigas vive na cova, a pessoa habita uma casa).

Um animal como o papa-formigas vive em qualquer cova que encontrar, já a pessoa tem sempre uma casa. Enquanto as covas abundam na selva, os homens constroem as casas de acordo com as suas necessidades. Os animais não transformam a natureza como os homens. A dignidade da pessoa não se confunde com o modo de vida dos animais.

K'ono kwatota, omanu valuka (secou a nascente do rio, as pessoas mudam de lugar).

Há uma relação de causa e efeito entre a existência de um rio e a constituição de aglomerados populacionais nas suas proximidades. A água é indispensável para a sedentarização dos homens e quando a fonte seca, parte-se à procura de outro lugar.

Longa ochinhama, kukase omunu (alveja-se o animal, não se apedreja a pessoa).

O animal pode ser alvo de caça, mas a vida humana é sagrada e deve merecer respeito. A pessoa nem sequer deve ser apedrejada.


Omunu nda figo wafa kami ondalu, ava vasyala vayota (a pessoa que morre não extingue o fogo, os vivos continuam a servir-se dele - o fogo).

Apesar da morte, que é uma contingência que afecta os homens, a vida prossegue com os vivos. A substituição e a sucessão, são incontornáveis no mundo das relações sociais. A morte não põe termo à sobrevivência comunitária. Não há pessoas insubstituíveis.

*Ensaista e critico literário

Notas:
(1) Ver NgugÍ wa Thiongo, Penpoints, Gunpoints and Dreams. Towards a critical theory of the arts and the state in Africa, Oxford, Claredon Press, 1998, pp. 103-128
(2) Geraldo Bessa Victor, Ensaio critico sobre a primeira colecção de provérbios angolenses, Usboa, 1975, p. 23
(3) Ver António Fonseca, Contribuição ao estudo da literatura oral Angolana, Luanda, lNALD, 1996, p. 52
(4) Moisés Mbambi, O Direito Proverbial entre os Ovimbundu, Comunicação apresentada ao Colóquio do FENACULT, 1989
(5) Ver José Francisco Valente, Selecção de Provérbios e Adivinhas em Umbundu, Instituto de Investigação de Angola, 1964
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Hidrovias - Transportes Fluviais ::..

Uma rede hidrográfica constituída por rios de grande caudal detentores ao longo de seus cursos inúmeras quedas, rápidos, lagoas, alguns dos quais navegáveis de propiciar a prática balneária e desportiva entre os quais se destacam o Kwanza, Zaire, Kuando e Cunene.

Os rios angolanos oferecem oportunidades para implantação de negócios de interesse turístico ou misto de tipo comércio-turismo.

Indicadores dos princiapais rios
Nome
Longitude
Rede Hidrográfica
Navegabilidade
Zaire
150 km
30 050 km²
150 km
Kwanza
1000 km
147 690 km²
240 km
Cunene
800 km
940 400 km²
-
Kubango
975 km
153 400 km²
-
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Natureza ::..

Florestas

O território Angolano é recoberto a 43% por florestas ainda pouco explorado. Árvores de espécies valiosas podem ser encontradas nas florestas do norte, inexploradas desde a independência. Perto de 150.000 hectares de eucalipto, ciprestes e plantações de pinho estão esperando a reabilitação. A vasta e densa rede hidrográfica facilita ainda mais o desenvolvimento natural deste sector, já que o transporte por flutuação ou em embarcação é praticável.

Em Lubango, um recanto bucólico e acolhedor

A 15 quilômetros de Lubango, capital da província de Huíla, um condomínio turístico está fazendo grande sucesso entre as pessoas que desejam passar alguns dias ou um fim de semana em total contato com a natureza, mas dispondo de uma infra-estrutura de alojamento com todo o conforto da vida urbana moderna. É o Complexo N. S. do Monte, encravado na Serra de Chela, a 2 mil metros de altitude.

Também conhecido como Muhonguera Lodge, o local é formado por dez pequenas casas, algumas com um quarto, outras com dois, todas com banheiro privativo, água quente, TV com antena parabólica, camas de casal ou solteiro. Para as refeições, um drink ou um suco de caju, típico da região, os hóspedes têm um restaurante com capacidade para receber até 50 pessoas e um bar. Outro serviço oferecido é uma loja de conveniências, que vende artesanato angolano, tecidos africanos, plantas medicinais e outros produtos.

Se todas as casas estiverem ocupadas, o visitante pode acampar. Há uma área de camping com espaço suficiente para 10 barracas, além de estacionamento de veículos. A tranqüilidade é garantida por um moderno sistema de segurança e o recanto proporciona aos hóspedes uma atmosfera bucólica e exótica, formada por inúmeros pássaros, cabras, galinhas e outros animais.

Muhonguera é também uma excelente base para turistas que desejam conhecer a região, reconhecida como uma das mais belas do país. Ali pode-se alugar um carro e percorrer a serpenteante Estrada da Leba, com 15 quilômetros de curvas fechadas, a cascata de Huíla, a Fenda de Tundavala, com suas gigantescas rochas sobrepostas, as grutas de Tchivinguiro, a Fazenda Chimbolelo.

O passeio pode terminar no alto da Serra da Chela, onde fica a cidade de Humpata, também cheia de atrações, como o histórico Cemitério dos Boers, a barragem das Neves, o mirante e a Estação Zootécnica.

Mangais: turismo ecológico na Barra do Rio Kwanza

Um deslumbrante lugar com opções variadas de lazer em meio à natureza

Com sua exuberante natureza, milhares de espécies animais e vegetais, praias e rios, Angola possui nichos potenciais de turismo ecológico que começam a ser aproveitados.

O lugar mais promissor no médio prazo está localizado a apenas 50km de Luanda, na província de Bengo. É a Fazenda dos Mangais, ladeada pelo Rio Kwanza e por uma estrada que liga a capital angolana ao litoral sul do país. Nessa área com cerca de 500 hectares, rica em hábitats de diversas espécies animais, entre mangues e alagados, está sendo construído o mais arrojado projeto de eco-turismo do país, com toda a infra-estrutura para os mais exigentes visitantes.

E numa localização privilegiada: nas proximidades ficam o Parque Nacional Kissama, a praia do Cabo Ledo, Miradouro da Lua e a Barra do Kwanza. Temperaturas anuais médias de 24,4ºC, com máxima de 27,5ºC em março e mínima de 20,2ºC em julho.

O projeto une as recreações e o relaxamento de um clube campestre com as emoções de um parque aquático natural. As obras estão a cargo da empresa portuguesa Mangais Eco-turismo.

Haverá passeios guiados na Floresta dos Mangais, ao longo do rio, visitas a sítios e aldeias típicas próximos, observação de pássaros (ornitólogos fazem isso de binóculos na alvorada, quando todos cantam juntos). Em matéria de fauna, aliás, há muito o que ver além das milhares de aves – uma grande variedade de invertebrados, peixes, anfíbios, répteis. Os passeios, sempre com guias, incluirão caminhadas pelas picadas abertas na misteriosa floresta, macacos de diferentes tipos e tamanhos, porco formigueiro, porco-espinho, hiena malhada, gatos selvagens. Muitas espécies que nunca foram estudadas. Quem preferir, pode percorrer trechos do Rio Kwanza de barco ao pôr do sol.

Rio Kwanza

À noite, depois de uma bela refeição típica num restaurante tradicional, pode-se fazer a digestão ouvindo o zumbido do vento nas copas das árvores e nas folhagens, os ruídos de animais. Ou então sair para aprender a conhecê-los. Guias especializados ensinam a identificar sons noturnos, como localizar morcegos usando detectores apropriados, a vida curiosa das rãs e das corujas. Mais intimidade com a natureza, impossível.

É claro que turismo em regiões de beleza natural pode ser uma atividade de alto risco para a fauna e a flora, com possibilidade de resultar até desastre ecológico. O acúmulo de lixo destrói o hábitat dos animais, e o simples gesto, muito comum, de arrancar uma flor ou uma planta, como souvenir , ou para decorar o apartamento, agride o ecossistema.

Por isso o surgimento de uma indústria de turismo ecológico em Angola está deixando a bicharada de orelha em pé, com medo da cobiça e da ignorância do bicho homem. No Brasil o mau exemplo mais evidente está na Amazônia, onde a caça é proibida, mas pratica-se, muitas casas e alguns hotéis têm onça de estimação, contrariando a legislação ambiental que proíbe manutenção de animais em cativeiro.

Mas a Mangais Eco-turismo está se prevenindo contra eventuais danos ao meio ambiente e garante que pretende fazer um aproveitamento racional, sustentado e equilibrado das potencialidades locais, salvaguardando a biodiversidade e conservando a natureza. Tanto que serão utilizados somente materiais naturais, técnicas artesanais.

Os passeios no rio serão em canoas tradicionais, sem motor. Qualquer turista ecológico de carteirinha sabe que o barulho do motor espanta os animais e as aves, forçando a migração.

As casas que serão construídas, para aluguel ou moradia, terão arquitetura rústica, harmonizada com a paisagem, e em número limitado, para evitar a pressão demográfica e urbanística sobre o meio ambiente.

Os proprietários das casas terão acesso gratuito a um campo de golfe e acesso preferencial a todos os demais serviços de lazer do clube – piscina, quadras de tênis e squash, campo de futebol, passeios a cavalo e de charrete e pesca desportiva.

Já houve, em fevereiro passado, o primeiro torneio de pesca desportiva, patrocinado pela Mangais, com a colaboração da Associação Internacional de Pesca Desportiva. Em dois dias de competição, para além de promover a pesca desportiva o evento visou a promover a preservação do peixe Prata, premiando os concorrentes que o libertassem após a captura.

As comunidades da região estão sendo alvo de uma campanha de conscientização, para acabar com o uso não sustentável da terra e dos recursos naturais. É preciso que a campanha seja permanente, para que os futuros turistas possam usufruir e preservar esse pedaço de paraíso. Os animais e a natureza agradecem.

Parques nacionais, espaços privilegiados da natureza

A fauna e a flora constituem um dos mais ricos patrimônios naturais de Angola, exuberante nicho de turismo ecológico que garante  momentos de lazer e tem importância científica, pelo potencial  genético existente nos parques e reservas florestais.

Há no país  um  total  de  37 áreas de valor turístico e ecológico, equivalentes a 188.650km², ou 15% do território nacional. Desse  total  13  são  áreas  de proteção ambiental: seis Parques  Nacionais,  um Parque  Natural Regional, duas Reservas Naturais integrais e quatro Reservas Parciais.

Os seis parques nacionais são:

• Parque Nacional de Quissama, na província de Bengo, estabelecido como Reserva de Caça em 1938 e elevado à condição de Parque Nacional em 1957. Tem uma área de 9.600km² e sua fauna mais notável é composta de manati, palanca vermelha e tartaruga marinha.

• Parque Nacional de Cangandala, na província de Malange. Estabelecido como Reserva Natural Integral em 1963 e Parque Nacional a partir de 1970. Tem uma área de 600 km² e sua fauna inclui a famosa palanca preta gigante, espécie exclusiva de Angola.

• Parque Nacional de Bicuar, na província de Huíla. Criada como Reserva de Caça em 1938, passou a Parque Nacional em 1964. Tem uma área de 7.900km² e na sua fauna o destaque é o búfalo negro.

• Parque Nacional de Iona, na província de Namibe. Estabelecido como Parque Nacional de caça em 1937, tornou-se Parque Nacional em 1964. Tem uma área de 15.150km² onde a Zebra da Montanha é a estrela principal de sua fauna.

• Parque Nacional de Kameia, na província de Moxico. Em 1935 tornou-se reserva de caça, sendo elevado à condição de Parque Nacional em 1957. Sua área é de 14.450 km² e a fauna inclui girafas.

Parque Nacional Regional Cimala-Vera, na província de Benguela. Foi estabelecido como Reserva Especial em 1971 e elevado à condição de Parque Nacional Regional em 1974. Tem uma área de 150km² e na sua fauna se destaca a cabra de leque.

Além da  fauna, existe nos parques nacionais uma flora de grande  importância para o equilíbrio do ecossistema e com valor medicinal. Mas a maior parte das áreas protegidas sofreu o impacto da guerra civil. Com  o advento da  paz, começou-se a refletir sobre a conveniênia de abri-las de imediato ao turismo ou dar prioridade a trabalhos de ordenamento, delimitação e recuperação das partes degradadas, ou ainda concluir o estatuto de áreas protegidas.

Começou a haver uma mobilização de setores preocupados com a preservação e defesa do meio ambiente, para se avaliar o estado dos parques e reservas, com a finalidade de se traçar um conjunto de atividades concretas, visando à recuperação das áreas degradadas e a uma exploração turística que respeite as leis da natureza.

Assim surgiram as Jornadas Nacionais de Reflexão sobre os Parques e Reservas, que resultaram nos  Projetos  de Recuperação  e  Conservação  dos Parques Nacionais  de  Quissama,  Bicuar, Iona  e a Reserva  Parcial  de  Namibe, que tem 4.450km² de extensão e uma fauna que inlcui zebra, rinoceronte e avestruz. As outras três reservas florestais parciais são Luiana (8.400km²), Mavinga (5.950 km²) e Mucosso (com 25.000km²), todas na província de Kuando-Kubango.

Uma das prioridades do Ministério de Hotelaria e Turismo para este ano é recuperar estas três reservas. Recentemente o ministro Jorge Valentim visitou a província, para constatar os problemas existentes e estudar as soluções. Na opinião dele o ecoturismo em Kuando Kubango tem tudo para ser um dos maiores atrativos da África, a julgar pela dimensão da sua fauna e a extensão do território, segundo maior do país, com 199.000km².

A concessão de crédito bancário aos empresários locais que atuam no ramo do comércio, hotelaria e turismo está sendo negociada pelo ministério junto ao Banco de Poupança e Crédito (BPC). Jorge Valentim garantiu igualmente que haverá cursos profissionalizantes para a área de hotelaria e turismo, a fim de que haja funcionários capacitados a prestar adequadamente os serviços aos turistas.

Além das reservas florestais, outros locais turísticos na província de Kuando-Kubango são a Ilha de São Valentim, o Centro Turístico Dom Bosco, Makueba, Missombo e o forte Mueme-Vunongue, símbolo de resistência do povo Nganguela contra o colonialismo português.

A idéia por trás dos projetos de recuperação e conservação dos parques nacionais e reservas é equilibrar o lazer turístico e a proteção do meio ambiente, permitir que haja um  mínimo  de  impacto humano negativo e assim garantir o desenvolvimento do ecossistema. Deseja-se, por exemplo, que a infra-estrutura hoteleira e outros serviços de apoio ao turismo sejam construídos fora da área dos parques e reservas, na sua periferia. A  circulação de turistas dentro  dos  parques seguiria   rotas pré-determinadas,  com  acompanhamento de  guias,   para haver o mínimo de perturbação  do  meio-ambiente, impedindo-se o ingresso desordenado de pessoas, caçadores ou simplesmente moradores.

Além  dos  parques, existe um conjunto de espaços em  todas as províncias que,  pelo  seu  valor  estético,  constituem verdadeiros monumentos  naturais. Estão enquadrados nesta categoria  as  pedras  de  Pungo  Andongo, Alto Hama, Monte Belo, as cachoeiras de Kalandula, Talo Mungongo, Pedra do Ebo etc

Rinoceronte, zebra, girafa, palanca negra podem ser vistos nos seis parques nacionais de Angola

Agências fazem conferência internacional

O ministro da Hotelaria e Turismo, Jorge Valentim, participou no Qatar da IV Conferência Internacional de Agências de Turismo, patrocinada pela Organização Mundial de Turismo (OMT). Foi a primeira vez que Angola esteve presente em um encontro internacional de turismo realizado no Oriente Médio.

Ministro da Hotelaria e Turismo, Jorge Valentim

Na reunião, o ministro divulgou a imagem do país, fez um retrospecto da situação de guerra civil e a fase atual de reconciliação nacional e paz. Do Qatar o ministro Jorge Valentim seguiu para as Ilhas Seychelles, onde participou da 41ª reunião da Comissão da Organização Mundial do Turismo para a África. Neste encontro o tema discutido foi "A importância do turismo para acabar com a pobreza".

Turismo Sustentável

Os benefícios da atividade turística a nível mundial encontram-se repartidos de forma desigual: cerca de 49 países em desenvolvimento recebem menos de 1% do fluxo turístico do mundo e menos de 0,5% das receitas do turismo internacional.

A revelação foi feita durante a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, realizada em Lisboa para discutir o Turismo Sustentável como fator de desenvolvimento.

O desequilíbrio do fluxo turístico é agravado porque os destinos turísticos dos países em desenvolvimento dependem de operadores estrangeiros, cuja competitividade é superior.

Participaram da conferência representantes de mais de 50 países membros da organização, os quais propuseram formas de aproveitamento cada vez maior do crescimento turístico, já que se trata de uma poderosa indústria, com um índice de expansão muito rápido, além de ser uma fonte de emprego e de receitas em constante progressão.

Ilha de Luanda ganha um complexo de lazer

Um dos pontos turísticos mais freqüentados na capital angolana, a Ilha de Luanda (estreita faixa de terra com belas praias), tem agora um complexo de lazer dos mais requintados. É o "Jango Veleiro", mistura de restaurante, bar e casa de shows, inaugurado em alto estilo, com a presença do vice-ministro da Hotelaria e Turismo, Paulino Baptista.

A proprietária do local, Ana Godinho, disse que o empreendimento surge para diversificar o lazer dos turistas e moradores da capital. O serviço tem qualidade garantida por profissionais formados em escolas de hotelaria.

Entre os vários atrativos do "Jango Veleiro", há música ao vivo, recital de poesia e até prática de pólo aquático na praia em frente. E isso é somente a primeira fase do empreendimento, conforme declarou Ana Godinho. Pretende-se também construir uma discoteca, um hotel e outros locais de lazer.

Com cerca de cem funcionários, o "Jango Veleiro" fica aberto 24 horas ao dia.

Empresários promovem turismo

A Associação dos Industriais de Angola (AIA) está lançando na província de Uíge uma campanha para identificar as prioridades do turismo na região. Segundo o representante da AIA na província, José Canjimba, foi a primeira vez que isso aconteceu.

O encontro reuniu entidades de vários setores da província e discutiu os aspectos turísticos que podem ser melhor explorados, como as duas viagens do navegador português Diogo Cão a Angola, no distrito do Congo em 1485, e os antecedentes da província desde 1892.

Participaram do encontro funcionários do ramo de hotelaria e turismo, empresários, estudantes de história e geografia, além de representantes de ONGs.

Mesmo nesta época de chuvas em Angola, dezenas de turistas visitam semanalmente o Parque Nacional de Kissama, na província de Bengo, segundo o diretor da Fundação Valdemar Ferreira Pinto, que administra o patrimônio.

Na verdade, a época de chuvas tem uma vantagem: os turistas podem apreciar mais espécies animais que se encontram no parque, porque eles pastam todos os dias e não se escondem por causa do calor. "O Parque tem sempre acampamento de visitantes, porque o roteiro turístico é interessante e permite não só observar algumas espécies, como também as belíssimas paisagens naturais", disse Valdemar.

A caça ilegal é um problema citado por ele e que precisa ser combatido, pois ameaça a biodiversidade do parque. Valdemar Pinto informou que o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) e a Fundação Kissama realizarão no final de agosto um curso para fiscais florestais, a fim de aumentarem seus conhecimentos sobre biodiversidade e equilíbrio ecológico.

A Fundação Kissama é uma entidade não-governamental, apartidária, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica e autonomia administrativa e financeira.

Depois de grandes investimentos do governo, o parque voltou a ter sua fauna original, por meio do projeto Arca de Noé, da Fundação Kissama, que traz animais da África do Sul e de Botswana para encontrarem em solo angolano seu hábitat natural.

Contando com uma boa estrutura para o turismo, o parque vem atraindo pessoas em busca de safáris ecológicos, feitos por carros próprios para a atividade que podem ser alugados no local. Alojamentos e restaurantes também dão apoio aos que desejam visitar Kissama.

Vegetação típica - Imbondeiro

Lobito, uma aquarela que encanta os visitantes

Lobito é uma das cidades mais bonitas de Angola e de toda a costa africana. Situada no litoral, entre palmeiras, largas avenidas, chalés, palacetes, jardins, barcos e navios ancorados no seu porto, tem a aparência de uma aquarela azul, com ambiente cosmopolita e boêmio.

Fica a 740 km de Luanda e é a segunda cidade mais importante de Benguela, a província angolana onde há mais miscigenação no país, e por isso comparada ao Brasil. Sua população se divide entre negros, mulatos de vários tons e brancos.

A cidade estende-se por uma restinga de areia com mais de 3 km de comprimento na baía de águas tranqüilas e uma área de mangue habitada por milhares de flamingos.

Restinga de Lobito, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade

Na época colonial era em Lobito que moravam os portugueses ricos, nas casas elegantes que ainda existem no Bairro de Restelo. Outros passavam ali as férias de verão. Nos folhetos turísticos da colônia nos anos 60 dizia-se que a cidade era "A Sala de Visitas de Angola."

Foi curiosa a criação de Lobito. Só no fim do século XVIII passou a ter este nome, porque até então o assentamento era conhecido, para se distinguir da vizinha Catumbela, por Catumbela da Água Salgada ou Catumbela das Ostras.

Em 1842 iniciou-se em Lobito a construção de um forte e do palácio do governo colonial. No ano seguinte, D. Maria II aprova o nascimento da cidade de Lobito, que tinha não mais que alguns barracões e uma plantação de coqueiros para consolidação da restinga de areia.

No final do século XIX, quando o comércio da borracha atingiu o apogeu, a baía de Lobito começou a atrair as atenções. O volume de mercadorias que saíam de Angola exigiu um ancoradouro maior que o de Benguela, a capital da província, a 34km de distância e que tinha capacidade somente para pequenas cargas.

No início do século XX (1902), com a construção da ferrovia Caminho de Ferro de Benguela, Lobito saiu do marasmo em que esteve mergulhada durante mais de 300 anos. A concessão da ferrovia foi entregue ao inglês Robert Williams e a cidade começou a crescer, lançando uma campanha para aterrar o pântano.

Câmara Municipal de Lobito

Em menos de 20 anos Lobito passou de uma baía abandonada coberta de mangue para uma cidade moderna, com terminal ferroviário e o principal porto do país. Foram construídos o mercado, a ponte na estrada Lobito-Benguela, o edifício dos Correios, o Hotel Términus (o melhor da província durante muitos anos), a capela da N. S. da Arrábida.

O Boletim da Agência Geral das Colônias de 1925 afirmava que "Lobito é a mais bela cidade desta costa". E atribuía a qualificação a três fatores: "excelência do seu porto, terminal do Caminho de Ferro de Benguela, riqueza da ‘bacia econômica', ou seja, o conjunto de vias de comunicação para o litoral passa por Lobito".

A essa altura a cidade era porta marítima de todo o vastíssimo planalto central de Angola, compreendendo as riquíssimas zonas de Huambo, Bié, Moxico. Era também o porto natural de uma grande parte da África Austral e o mais econômico para as comunicações entre as minas de cobre de Catanga (Congo Belga) e os portos da Europa.

No fim dos anos 40 abriram-se grandes avenidas na cidade, as praças receberam jardinagem e começou-se a desenhar os principais bairros, como a Restinga, o mais chique, exclusivamente residencial, com espaçosas moradias que dão para o Atlântico e para a baía.

Com 3km de extensão e em alguns pontos menos de 300 metros de largura, a Restinga é um autêntico jardim que se ergue do mar. Ali ficam o porto, a estação ferroviária, os Correios, o Hotel Términus e o Mercado Municipal.

Na virada da década de 50 Lobito tornou-se cosmopolita. Sofisticou o comércio cada vez mais intenso nas ruas em volta do Mercado Municipal. Surgiram novos hotéis e a atividade portuária conheceu um desenvolvimento sem precedentes. De Lobito saíam também milho, cimento, plástico, zinco, sisal, óleo e açúcar. Eduardo Fernando de Matos no livro Viagem por terras de África escreveu: "(...) Comparando este porto ao de Luanda, temos a impressão de que é Lobito e não Luanda a capital da colônia".

Com a Guerra da Secessão de Catanga no Congo Belga, o porto de Lobito ganhou ainda mais movimento. Nesta altura o total de minérios escoados rondava 500 mil toneladas por ano.

Era a cidade que registrava maior crescimento em Angola.

Entre seus pontos turísticos de maior interesse estão as praias, que revelam dois aspectos completamente distintos: águas mansas do lado da baía e águas batidas em toda a extensão do Oceano Atlântico. Outro lugar interessante é o Parque dos Bambus.

Além das belezas tropicais, a cidade tem um traçado moderno e arquitetura bem preservada nos edifícios públicos, como a ex-sede da Associação Comercial e onde agora está instalada a sede local do MPLA. E o Carnaval é um dos melhores de Angola, com célebres desfiles.

Para se ter uma vista panorâmica de Lobito e arredores, os melhores lugares são os mirantes de Quileva e do Forte de Catumbela.

Entre junho e meados de outubro a temperatura média é de 20ºC e daí em diante começa o calor que vai até maio. Os meses mais quentes são fevereiro, março e abril, com temperaturas médias de 27ºC.

País investe no turismo cultural

Uma nova vertente do turismo vem florescendo em Angola: a vertente cultural. Apostando nas diversificadas peculiaridades do país, as autoridades e os agentes do setor buscam o potencial turístico de museus, monumentos, festas populares, sítios históricos e naturais, carnaval e outras manifestações artísticas, como artesanato, literatura, teatro e música.

São fortes atrativos que podem ser melhor explorados. Além de contribuir para o aumento do PIB, é fonte de financiamento para a sua própria preservação, conservação e valorização, podendo ainda identificar melhor a imagem do país no mundo.

O assunto empolga tanto que pela primeira vez foi motivo de um seminário, promovido em Luanda pelos ministérios da Cultura, da Hotelaria e Turismo e do Urbanismo e Ambiente. Durante dois dias reuniram-se no Hotel Trópico empresários do ramo hoteleiro, turístico e cultural, representantes de agências de viagens, empresas de publicidade e marketing, técnicos e funcionários de museus, entidades artísticas, culturais e empresariais, representantes de fundações, historiadores, sociólogos e antropólogos, agitadores e produtores culturais.

As questões fundamentais do encontro foram a identificação do potencial turístico e cultural do país, a oferta cultural disponível e o turista, a valorização dos monumentos e sítios históricos, turismo e qualidade dos serviços.

Sobre a oferta cultural, há muito a oferecer aos turistas nativos e estrangeiros. Angola dispõe de imensas riquezas culturais e naturais: instituições como museus, bibliotecas e casas de cultura, um patrimônio diversificado, monumentos e sítios históricos, arquitetônicos e naturais, incluindo estações arqueológicas, e pinturas rupestres.

O ministro de Hotelaria e Turismo, Jorge Valentim, disse na abertura do seminário que o turismo cultural precisa ganhar uma nova dinâmica no país, beneficiando a economia e ao mesmo tempo ajudando a valorizar o patrimônio cultural, desde que seja aproveitado de forma racional. Um dos caminhos, segundo ele, é expandir a rede hoteleira.

O primeiro consenso dos participantes do seminário foi que as riquezas culturais não estão sendo suficientemente divulgadas, de modo a permitir uma exploração eficaz no ramo turístico. Por isso a prioridade imediata é criar mecanismos que tragam uma maior divulgação desse potencial, de modo que num futuro breve se efetive a conseqüente exploração turística.

Superados os problemas de insegurança que abalaram o país durante a guerra civil, paulatinamente começam a ser criadas as condições ideais para a realização de investimentos nos vários setores da infra-estrutura, especificamente estradas, pontes, construção de hotéis e pousadas, ao mesmo tempo que se vai estruturando e melhorando os serviços especializados de atendimento público das áreas artísticas e culturais, indispensáveis à definição e à manutenção dos roteiros turísticos.

O carnaval também já começou a se destacar no roteiro cultural e turístico angolano, porque vem crescendo o interesse de turistas nacionais e estrangeiros pelas características dos desfiles.

Outro tema foi sobre a viabilidade de projetos de impressão de selos, postais, cartazes, roteiros, monografias e outros materiais de divulgação e informação relativos a museus, monumentos, sítios históricos e naturais, estações arqueológicas e demais lugares que integram a memória cultural.

As estratégias a serem traçadas deverão se pautar pelo respeito escrupuloso ao meio ambiente, às identidades multiculturais, que protejam e valorizem o patrimônio nacional e contribuam para o desenvolvimento local, regional e nacional.

Representando o Ministério da Hotelaria e Turismo, Destino Alexandre alertou que o turismo cultural deve ser desenvolvido de forma controlada, sem ameaçar o meio ambiente natural e a vida social e cultural. Salientou que se deve ter em conta também o papel do setor público, a estabilidade política, a boa gestão do meio ambiente e a segurança como fatores fundamentais para atrair turistas.

O economista Antônio Fonseca, ao falar sobre a contribuição das comunidades, propôs a criação de um calendário de eventos culturais que possam ser motivo de interesse turístico. Este incentivo daria resultados, por diversas razões, segundo ele. "Uma delas é a acentuada necessidade que as pessoas sentem, sobretudo de países ricos, de conhecer destinos turísticos diferentes". Ele também chamou a atenção para um elemento-chave: educar a população para o turismo e a sua importância.

Também economista, Avelina Massamba ressaltou a preservação do ecossistema como princípio básico de qualquer exploração turística num país como Angola. Em sua palestra sobre ecoturismo ela disse que o turista ecológico, que prefere as belezas naturais, poderá exercer uma grande importância na campanha de educação ambiental, mas, advertiu, o desenvolvimento desse tipo de turismo deve passar por medidas de conservação da natureza, para a proteção da flora, da fauna, dos ecossistemas e qualquer sítio arqueológico e histórico. Avelina manifestou-se contra as visitas descontroladas de numerosos turistas em qualquer estação ou período do dia em áreas florestais, perturbando a fauna e afetando a sua reprodução.

Jomo Fortunato, professor de literatura, compositor (venceu o Festival de Canção de Luanda em setembro) e diretor do Instituto Nacional do Livro e do Disco ( INALD), na palestra sobre "As Indústrias culturais no desenvolvimento do turismo", defendeu maior cooperação entre as 18 províncias de Angola.

Segundo ele, o turismo pode ser a ponte para o conhecimento da moral, da filosofia, arte, psicologia social e da tradição angolana. "O patrimônio cultural do país é o elemento vital da identidade e uma fonte de criatividade que pode orientar a evolução e o conhecimento de Angola". O diretor do Inald disse ainda que o florescimento da indústria cultural passa pela integração de um conceito mais amplo de patrimônio, numa estratégia horizontal de turismo cultural.

A presidente da Associação das Agências de Viagens e Operadoras Turísticas de Angola, Ana Maria Grio, falando sobre "O papel das agências de viagem na divulgação da cultura nacional", conclamou os empresários para contribuírem na construção de uma cultura turística, oferecendo pacotes para em vários locais do país. "É importante mostrarmos todos os níveis de interesse cultural e de lazer".

Ministro Jorge Valentim

Ana Maria Grion defendeu igualmente a necessidade de uma regulamentação da indústria de turismo, na sua articulação com o meio ambiente, os transportes, a educação e a formação profissional, para que o turismo seja a síntese e não o resultado de outras políticas.

Ministro Boaventura Cardoso

O geógrafo José Cavula Muaquixe manifestou-se favorável à proteção e gestão das áreas com paisagens culturais, turísticas e florestais. Ao se preservar e gerir os sítios culturais, turísticos e florestais, a natureza e a economia do país desenvolvem-se em todos os níveis, contribuindo para a melhoria das condições de vida da população angolana, sem prejudicar o ambiente", afirmou.

José Cavula Muaquixe informou que, de acordo com estudos feitos pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), em Angola existem 19 reservas e parques nacionais, além de 18 reservas florestais que na sua opinião estão abandonadas em conseqüência da guerra civil que o país enfrentou.

O artista plástico Álvaro Macieira propôs a criação de um banco de dados e de publicações periódicas com todas as informações sobre turismo em Angola.

Destacou a importância dos meios de comunicação na divulgação dos pontos turísticos e na educação ambiental. Segundo ele, a mídia pode encontrar a melhor maneira de transmitir idéias sobre o potencial turístico, os ícones da cultura nacional, além de informar acerca dos esforços governamentais e das instituições voltadas para a recuperação e resgate de valores culturais perdidos no espaço e no tempo.

"A produção artística e cultural, na sua forma mais ampla, a valorização das nossas festas locais, provinciais e nacionais, tais como o carnaval, os festivais de músicas, dança, teatro, o roteiro cultural que inclui os museus, os sítios históricos, lugares de memória e de interesse podem proporcionar-nos momentos ímpares de turismo e lazer", disse Álvaro.

O tema "Turismo Cultural de Memória" ensejou uma reflexão sobre a chamada rota dos escravos, tendo em conta o passado angolano e o significado histórico do tráfico de escravos no continente africano. O historiador Camilo Afonso disse que "a identificação, restauração, promoção e divulgação do patrimônio cultural sobre o tráfico negreiro e a escravatura em Angola, nas mais variadas dimensões,desse patrimônio cultural, visa a perpetuar para as gerações vindouras o legado do tráfico negreiro e sua abolição, além de significar a tomada de uma nova atitude positiva sobre um acontecimento que marcou a humanidade.

Ele ressaltou que o projeto "A Rota dos Escravos" liga a exigência ética de memória do tráfico de escravos e da escravatura às necessidades atuais de um diálogo inter-cultural e multidisciplinar. "É uma herança dinâmica, que nos possibilitará compreender muitas das questões do mundo, através da reflexão crítica dos acontecimentos."

No encerramento do seminário, o Ministro da Cultura, Boaventura Cardoso, lembrou da necessidade de eficiência profissional na gestão do turismo cultural em Angola. "Só com esta formação poderemos com urgência estudar as experiências dos outros países em desenvolvimento que obtiveram êxito em matéria de turismo cultural e utilizá-las na exploração do grande potencial da cultura angolana, do material ao imaterial". Boaventura Cardoso disse ainda que o turismo cultural será um suporte decisivo na geração de riquezas e emprego, particularmente para a juventude.

Uma das principais recomendações dos participantes do seminário foi a intensificação de intercâmbio cultural com vários países, com caravanas culturais e artísticas, exposições fotográficas, de artes plásticas e artesanato, livros e tradução de obras literárias de autores angolanos, para que sejam divulgados e conhecidos no exterior.

Deve-se também incluir nos roteiros turísticos informações sobre os museus, monumentos e sítios históricos, parques, centros e casas de cultura, bibliotecas e os principais eventos culturais nacionais.

Lubango braços abertos para o visitante

Uma das cidades com mais atrações turísticas em Angola é Lubango, capital da província de Huíla. A forte presença religiosa é sinalizada pelo seu monumento principal, o Cristo Rei, atualmente em reforma.

As obras incluem a remodelação completa do monumento, desgastado pelo tempo, pintura, recuperação do pedestal e dos degraus que dão acesso à estátua, plantação de grama na área, construção de um pequeno altar, iluminação e portões nos dois locais de acesso. O governo da província está investindo US$ 80 mil na recuperação dessas estruturas.

Cristo Rei, um dos pontos turísticos de Lubango

A estátua fica num morro de 2.100 metros de altitude, do qual se avista toda a cidade e a região em volta. O monumento foi instalado nesse lugar em 1957, quando Lubango ainda se chamava Sá da Bandeira, no tempo colonial.

Mas o Cristo Rei é apenas um dos componentes do Complexo Turístico Nossa Senhora do Monte, que inclui ainda um Cassino, a Capela de Nossa Senhora do Monte – pequena, branca, no alto de uma escadaria e com área para missa campal – um grande parque com espaços de lazer, restaurantes, campo de futebol, hospedarias, animais e uma grande lagoa que fica lotada nos fins de semana.

Na saída da cidade há o Miradouro, onde as pessoas ficam passeando e contemplando a cidade lá embaixo. A região tem também a famosa Serra da Chela, onde fica a estrada de Leba, estreita e sinuosa, cheia de curvas.

A melhor época para se visitar Lubango é o mês de agosto, quando se realiza a tradicional festa em homenagem a Nossa Senhora do Monte, padroeira da cidade. Milhares de turistas e religiosos de todo o país vão para lá, de carro, de ônibus, caminhão. É um evento religioso e cultural, com shows musicais, provas esportivas, exposição de artesanato e muitas outras atrações.

A província de Huíla fica a sudoeste de Angola e tem 2 milhões de habitantes. É a segunda província mais populosa de Angola, depois de Luanda.

Mussulo

Empreendimentos turísticos associam natureza e conforto

À meia hora de Luanda, passando pelo palácio do governo, Futungo de Belas, chega-se à paradisíaca ilha chamada Mussulo, com sua areia dourada e águas tranqüilas. Não por acaso é conhecida como "pérola de Luanda", e o aproveitamento de seu potencial turístico tem sido alto.

Vários empreendimentos dotaram a ilha de uma completa infra-estrutura, com bangalôs, restaurantes, bares, para o turista passar fim de semana ou o tempo que desejar. Um desses empreendimentos é o complexo turístico Onjango, que além da estrutura básica oferece esportes aquáticos, pesca esportiva e outros serviços. A hospedaria consiste de 13 bangalôs equipados com ar-condicionado, geladeira, TV, mosquiteiros e chuveiros.

Gerido pelas Organizações Pelicano, o Onjango é o lugar ideal para se relaxar depois de uma frenética semana de negócios em Luanda. A pesca esportiva atrai pescadores de vários países, porque a baía que circunda a ilha é famosa por ser um portentoso viveiro de muitas espécies de peixe: pargo, garoupa, pescada são os mais comuns. As águas são calmas e favoráveis também aos esportes náuticos, embora às vezes haja correntes provocadas pelas marés. Outra diversão é observar os golfinhos e, de vez em quando, até baleias.

 Outro empreendimento turístico em Mussulo é o Zanga, num local com belezas naturais, conforto e segurança. As casas de 2 e 4 quartos são totalmente mobiliadas e equipadas, acompanhando serviço de bar e restaurante e muitas opções de lazer e esportes.

A ponta final de Mussulo tem a característica geral das restingas e modifica-se gradualmente, surgindo e desaparecendo a cada ano pontas e ilhotas de areia, movidas pelos fluxos das correntes.

Chega-se à ilha de Mussulo geralmente pelo mar. Há embarcações regulares, além de pescadores que oferecem aos turistas seus serviços de lancha a motor. É possível chegar lá também por via terrestre, pela restinga, mas somente quem já conhece o terreno.
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Portos - Transporte Marítimo ::..

Constitui o principal meio de comércio externo cujas infra-estruturas em termos gerais apresentam-se em condições bastantes aceitáveis o que tem permitido dar resposta ao enorme tráfico de mercadorias.

O País está dotado de três grandes portos comerciais e outras centenas de pequena dimensão vocacionados fundamentalmente para a pesca e petróleo.

O ramo de transportes marítimos também oferece muitas boas oportunidades de negócios turísticos nomeadamente no domínio de ferry-boat.

Portos, cais e marinas: Ambriz, Cabinda, Lobito, Luanda, Luanda, Malongo, Moçamedes, Namibe, Porto Amboim e Soyo (2000).

Comerciais
Volume de Carga
Volume de tráfico
Porto de Luanda
10.000 m²
+710.000TM
Porto do Lobito
600.000
Porto do Namibe
+115.000TM

Situação Geográfica

O Porto de Luanda, cuja posição geográfica é de latitude 8°47' e de latitude 13°14' de longitude Este, abrange o interior da Baía, sendo limitada no continente pelo Farol das Lagostas e na Restinga pela sua pont mais avançada. A Baía apresenta uma área de cerca de 80 hectares. É bem abrigada, possuíndo bons fundeadouros com fundos que variam entre 15 e 30 metros. O seu canal permite acesso em qualquer época do ano e com qualquer maré.

Operacionalidade

O Porto de Luanda está aberto para a manipulação de cargas durnate o dia. O horário normal de trabalho é das 07:30 às 12:00 horas e das 14:00 às 17:30 horas, de segunda a sexta-feira e das 07:30 às 12:00 horas aos sábados. É possível estender-se o período de trabalho até às 21:00 horas e ocasionalmente uma segunda sessão das 21:00 às 7:00 horas. Actualmente, chegam a Luanda uma média de três navios dia, principalmente com produtos de importação. As mercadorias podem separar-se em dois grandes grupos: produtos industriais e produtos alimentares. A carga e descarga é feita parcialmente por guindastes do porto ou pelos próprios meios dos navios, quando as condições assim o exigem.

Exploração

Com vista à melhoria dos resultados operacionais e em consonância com as orientações definidas pelo governo, em especial as derivadas do Esquema Director da Marinha Mercante e da Lei n° 10/88 de 2 de Julho, foram criadas as figuras de operadores portuários, nomeadamente a de operador de terminal (Decreto n° 48/49) e operador de estiva (Decreto n° 46/89). Com a nova filosofia de gestão, enquanto a administração portuária designa os postos de acostagem aos navios que demandam o porto, procedendo a atracção e desatracção dos mesmos com pessoal e quipamentos próprios, a actividade de exploração dos terminais de produção foi dada em concessão por um período experimental de cinco anos aos operadores portuários, ficando a zona portuária dividida para o efeito, em seis terminais com afectação de todas as estruturas e pessoal na altura da concessão.

Transportes Marítimos e Portos
• Rios: 1.295 km (699 mi) navegáveis
• Oleodutos: Petróleo bruto 179 km (97 mi)
• Portos: Luanda, Lobito, Namibe, Cabinda
• Marinha Mercante: 12 navios (1.000 GRT ou mais) totalizando 66.348 GRT/102.825 DWT; incluindo 11 navios de carga e 1 petroleiro.

LUANDA ::..

Localização
O porto de Luanda situa-se a 8º47' S de latitude e 13º14' E de longitude, na baía abrigada de Luanda, local com excelentes condições naturais, ondulação fraca e ventos calmos. O acesso é muito fácil tendo a entrada da baía cerca de 1,5 milhas de largura. É o principal porto de Angola, movimentando mais de 70% das importações e exportações angolanas (Petróleo/Crude excluído).

Características e equipamentos
O porto tem 2738 mts de cais de acostagem, divididos em 7 terminais + 1 plataforma logística de apoio à indústria petrolífera, conforme se poderá ver no gráfico aqui exposto. O porto trabalha 24 hrs., é gerido pela Empresa Portuária de Luanda E.P. e dispõe de 3 rebocadores com potências entre os 750 e os 2500 HP.

Produtos
O Porto movimenta cerca de 1,5 milhões de toneladas por ano, sobretudo carga de importação (1,2 Milhões Tons), metade da qual, carga contentorizada. As mercadorias são as mais variadas e vão desde a farinha, arroz ou cereais para moagem até aos materiais de construção, produtos manufacturados, viaturas e equipamentos de transporte. As tonelagens de saída e de exportação são sobretudo café, tráfego local de cabotagem e contentores vazios.

Restrições
O calado máximo no canal de aproximação é de 9,50 mts. A profundidade ao longo dos cais é no entanto maior, variando entre os 10,5 e os 12,5 mts, excepto no terminal de cabotagem, cujo calado vai dos 3,5 aos 5,5 mts.


LOBITO ::..

Localização
O porto do Lobito fica a 12º20' S de latitude e a 13º34' E de longitude, na baía do Lobito e com a protecção natural da sua famosa restinga. Principal porto de Angola no passado, em grande parte devido ao facto de ser o terminal oceânico do importante Caminho de Ferro de Benguela, o seu potencial permanece intocável, embora a guerra tenha praticamente fechado o acesso ao interior e consequentemente ao minério explorado no Sul da Rep.Dem. do Congo e da Zâmbia.

Características e equipamentos
O porto tem 1122 mts de cais de acostagem, divididos em 2 zonas e trabalhando das 07h00 às 24h00. A autoridade portuária "Porto do Lobito" dispõe de dois rebocadores, 15 gruas em terra com capacidades entre as 5 e as 22 toneladas e ainda de uma grua flutuante com capacidade de elevação de 120 toneladas. Para além de estaleiros navais e do fornecimento de fuel para navios, o porto possui linhas e material ferroviário com capacidade superior a 500 tons / dia.

Produtos
O Porto movimenta cerca de 600.000 toneladas por ano, incluindo as tonelagens referentes aos cerca de 15.000 teus que são anualmente movimentados. Trata-se sobretudo de mercadorias descarregadas como cereais para moagem e matérias primas para a vizinha zona industrial da Catumbela bem como farinha, açucar, arroz e materiais diversos para construção e equipamentos para as cidades do Lobito e Benguela.

Restrições
O calado máximo permitido é de 10 mts.


NAMIBE ::..

Localização
O porto do Namibe situa-se a 15º12' S de latitude e a 12º08' E de longitude, sendo o terceiro porto de Angola em termos de movimento. Antiga Moçâmedes, esta cidade é banhada por águas ricas em pesca, o que aliado à proximidade da provincia da Huíla com as suas terras de grande potencial agrícola, permite perspectivar desenvolvimentos importantes no futuro para este porto.

Características e equipamentos
O porto tem 870 mts de cais de acostagem, divididos em 3 zonas, a maior das quais com 480 mts. A autoridade que gere o porto é "Porto do Namibe", dispondo de 1 rebocador, 3 gruas de 5 a 15 tons nas zonas 2 e 3 e de um empilhador para contentores com capacidade para 40 tons. O porto tem também acesso ferroviário para o interior.

Produtos
O Porto movimenta cerca de 200.000 toneladas por ano, incluindo as referentes aos cerca de 2.500 Teus que são anualmente movimentados. As mercadorias que por ali passam vão dos produtos manufacturados, alimentos, materiais e equipamentos diversos para a vizinha província da Huíla até ao pescado e produtos agro-alimentares carregados em cabotagem para outros portos de Angola, bem como algumas exportações de mármore e granito.

Restrições
O calado máximo permitido é de 10 mts (Zona 3).
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Rodovias - Transporte Rodoviário ::..

A rede de estradas cobre de 7500 Km dos quais 7955 Km asfaltadas. Os principais eixos caracterizam-se por unirem a capital com o interior ou seja a direção Este-Oeste, ao longo dos quais podem estabelecer-se empresas dos ramos de hotelaria, nomeadamente nas áreas de pensões, motéis, aluguel de carro, comércio de câmbio, restaurantes, abastecimento de combustível e etc.

Transportes Rodoviários
Estradas: 73.828 km (39.864 mi) total; 8.577 km (4.631 mi) pavimentadas, 29.350 km (15.848 mi) pedregulho ou terra batida, sendo o restante picada.

• Pontes:
3.000, encontrando-se a maioria delas destruídas como resultado da guerra civil que se prolonga à 16 anos.

• Automóveis ligeiros: 135.000

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Turismo ::..

As fronteiras políticas surgiram por que em algum momento fez sentido para alguns, senão para todos - dividir, separar, distinguir o "nós" face aos "outros", assegurar o espaço onde se exerce um poder. A orgulhosa humanidade não se destaca muito, nesse aspecto, de outras espécies animais que se aplicam a demarcar os "seus" territórios.

As fronteiras, objecto de tantas paixões nacionalistas, foram ao longo dos séculos assinaladas por rios e montanhas, ou por simples marcos de paus e pedras, e muitas vezes defendidas de armas na mão. Mas também têm sido símbolo de evasão e de liberdade em face de todo o tipo de opressões.

Na verdade, cada fronteira é o que os homens fazem dela: barreira à circulação das pessoas, terra de ninguém, zona de conflito ou, pelo contrário, traços de união, espaço onde florescem intercâmbios comerciais e culturais, precisamente porque da diferença (de actividades económicas, de leis, de costumes) resulta a vantagem da troca... Povos e culturas - e não só os contraban distas mais ou menos arrojados - prosp eraram tirando partido da posição intermediária que toda a fronteira, por definição, significa.

Falemos pois de fronteiras, enquanto o nosso avião cruza os céus bem acima dessas problemáticas linhas divisórias.

Não é novidade que as fronteiras actuais dos paises africanos resultam, quase todas, da herança colonial e da partilha da África pelas várias potências européias. Mas não foi de uma só vez, na famosa Conferência de Berlim (1884-1885), como por vezes se afirma.

Não tomemos como realidade a caricatura célebre, que mostra à volta duma mesa umas quantas potências repartindo entre si o bolo africano. Na famosa reunião, os "gulosos" impuseram, isso sim, algumas regras para a partilha do "bolo" e ocuparam-se sobretudo das zonas onde os grandes interesses comerciais aguçavam as rivalidades, como as bacias hidrográficas do rio Níger e do rio Zaire.

Decorreram algumas décadas de campanhas militares, de manobras diplomáticas na África e na Europa, ou de penoso avanço em territórios menos povoados, antes que os geógrafos e cartógrafos pudessem colocar nos mapas os traços e as cores que delimitavam cada espaço colonial. E como as rivalidades entre Europeus não cessavam, algumas linhas fronteiriças avançaram, recuaram e “ziguezaguearam” ao sabor de acordos bilaterais ou de arbitragens internacionais.

Os povos colonizados faziam parte da "paisagem" e eram transferidos de soberania, como os acidentes geógrafos e os recursos naturais. Com freqüência foram repartidos por vários Estados, sem consideração pelo seu passado político. Mas também é certo que em nenhuma parte do mundo as fronteiras políticas são "naturais" ou eternas, resultando sempre de processos históricos mais ou menos agitados.

Quantas vezes, na Europa, o mapa político se alterou pelo simples casamento entre representantes de casas reais, cujo dote transferia territórios e povos para outros soberanos?

Nem as fronteiras oferecidas pela mãe-natureza são tão seguras como possam parecer: entre as duas Repúblicas do Congo, nossas vizinhas, o grande rio Zaire seria uma fronteira serena e imutável. E no entanto, as fortes correntes vão alterando a posição de certas ilhas no meio do rio e, com elas, os pontos de referência da soberania territorial.

Quanto às fronteiras de Angola, responda o leitor, se souber: desde quando tem o país à forma e os limites actuais? Dois séculos? Um século? Na verdade, apenas setenta e cinco anos. Data de 1926 a última grande fronteira resultante da conquista colonial - e foi no sul, ali entre o rio Cunene e o rio Cubango, uma linha recta separando Angola do que é hoje a Namíbia.

Houve, é verdade, um anterior convénio luso-alemão (Dezembro de 1886) estabelecendo a fronteira a partir da foz do Cunene e, mais para o interior, no paralelo que ia do Ruacaná ao Cuangar, no Cubango. Mas essa era uma fronteira imaginária, já que nenhum poder colonial ocupara ainda a maior parte daquelas regiões.

Após as campanhas militares portuguesas que aniquilaram a independência do Cuanhama (em 1915 foi ocupa da a capital, Njiva e em 1917 morreu o rei Mandmne), começaram as negociações entre Portugal e a África do Sul, que ficara com a tutela da ex-colónia alemã do Sudoeste Africano no rescaldo da I Guerra Mundial.

Em 1926, finalmente, celebrou-se o "Convénio do Cabo", determinando o traçado fronteiriço e o uso das águas do rio Cunene. Nem tal fronteira se manteve pacífica, como atestaram as guerras mais recentes na nossa região, nem as águas do Cunene deixaram de fazer correr muita tinta, pelo valor que têm para o desenvolvimento da África austral. Porém, a última das últimas fronteiro de Angola não foi no sul e tem uma história mais prosaica e discreta, sem campanhas militares nem grandes debates na imprensa da época. É um dos muitos casos reveladores de como as potências coloniais retalharam a África, indiferentes à cultura e à história dos colonizados.

Um acordo assinado em 1927 em Luanda oficializou um estranho negócio diplomático: três quilómetros quadrados no norte de Angola cedidos aos Belgas, a troco de mais de três mil quilómetros quadrados acrescentados ao leste de Angola! Tão simples como isso - e alguns milhares de habitantes da região do Luau passaram do "Congo Belga" para a Angola portuguesa”. Vale a pena explicar um pouco melhor.

Ao finalizar a Conferência de Berlim, em Fevereiro de 1885, os domínios de Portugal em Angola não se aproximavam sequer da actual fronteira leste. Os mal definidos limites orientais da colónia poderiam abranger, na região norte. Mbanza Kongo e Bembe (mas não toda a região e também por isso a capital do "distrito do Congo" se manteve em Cabinda até 1917), Kalandula e Malanje (alargado com a quebra da resistência de Cassanje, pouco antes).

Isto não excluía bolsas de resistência que tornavam teórico o domínio português em certas áreas inclusive próximas de Luanda (nos Dembos).

Quanto ao centro de Angola, a "fronteira" não chegava a reinos como os do Bailundo, Huambo e Bié que, embora com residentes europeus e americanos (comerciantes e missionários), se mantinham independentes.

A sul, a ocupação colonial estendia­se até uma "velha" possessão no interior, Caconda, a par das mais recentes ocupações no Humbe e da chegada dos primeiros colonos madeirenses às terras altas da Huíla (onde pouco antes se fixara uma colónia de Boers).

A Conferência de Berlim ocupou-se detalhadamente da zona do baixo Zaire e do litoral a norte e sul do rio, mas para leste do rio Cuango tudo continuou em aberto, esperando resultados das expedições que na época cruzavam a África central.

Nada fazia adivinhar os diamantes pelos quais hoje se vive e morre nas terras dos Lunda e dos Cokwe (ou "Quiocos") donde, até então, tinham vindo para o litoral sobretudo escravos, marfim e borracha.

Do lado português, a expedição do major Henrique de Carvalho à capital do Muatiânvua, soberano Lunda, procedia entretanto ao reconhecimento da situação local nomeadamente a as censão político-militar dos Cokwe e ia celebrando com os chefes africanos os acordos de protectorado que legitimariam as pretensões coloniais portuguesas.  

Foi já depois da Conferência, a partir de 1887, que começou a circular nas chancelarias da Europa um famoso mapa onde, a cor-de-rosa, se desenhava uma vasta extensão reivindicada por Portugal, atravessando a África de Angola até Moçambique, sem incluir a Lunda.

Curiosamente, houve duas versões oficiais do mapa, uma para negociar com os Franceses, outra para negociar com os Alemães, o que reforça o que sabemos: o mapa cor-de-rosa foi um artifício da diplomacia portuguesa, um projecto político imperial, mas não a expressão cartográfica dos domínios coloniais portugueses. Obviamente, nunca teve reconhecimento internacional, apesar das emoções nacionalistas que agitaram os Portugueses quando forçados a abdicar do projecto.

De qualquer forma, só na década de 1890 a cartografia começou a mostrar o traçado do limite leste de Angola. Mas já antes se adivinhava o choque entre a expansão da colónia de Angola para leste e o avanço britânico vindo de sul, como de facto aconteceu a partir do momento em que as terras dos Lozi (o Barotze) foram, por mais um "acordo de protectorado", integradas nas possessões de Sua Majestade britânica e nelas, sem respeito pela história local, se incluíram terras dos Luvale e outros povos ligados ao império Lunda e não súbditos do chefe Lozi.

Não nos surpreende que estes tenham diplomaticamente jogado com as rivalidades inter-europeias para assegurar alguma autonomia o que explica, por exemplo, o acordo entre a chefia Nyakatolo e as autoridades portuguesas (desde 1896 e reconfirmado em 1903), assegurando para Angola parte do "saliente do Kazombo".

Os Luvale acabaram por ficar sujeitos a três poderes político-administrativos diferentes: o belga, o inglês e o português.

Entretanto, como era preciso "ocupar" o extremo leste, o governo português decidiu em 1894 estabelecer uma colónia penal agrícola e mais alguns postos militares, origem do "distrito do Moxico" (criado em 1917).

O contencioso luso-britânico sobre a fronteira de Angola com a actual Zâmbia (a "Rodésia do Norte"), em terras pouco povoadas mas cobiçadas pela importância do rio Zambeze, ficou conhecido como "a questão do Barotze" e só terminou em 1905 com a arbitragem internacional do rei de Itália. Os mapas são elucidativos das pretensões de cada um.

Os Portugueses reclamavam também contra os Belgas, pois consideravam que a fronteira nordeste fora mal delimitada, na convenção luso-belga de Maio de 1891. Esta regulara os diferendos sobre as fronteiras comuns, tanto entre a foz do Zaire e o rio Cuango como no nordeste angolano, mas as convenções nem sempre traduziam rigor geográfico. Parte do território a norte do lago Dilolo era considerada mal atribuída aos Belgas.

A situação das fronteiras manteve-se sem alteração até à década de 1920 e técnicos militares e civis foram chamados a fazer ou confirmar demarcações e colocação de marcos fronteiriços. Eram por vezes expedições complicadas, com os especialistas, os auxiliares e os carregadores realizando prodígios de força, destreza e equilíbrio para permitir a melhor colocação no terreno dos instrumentos de leitura.

Como poderiam eles imaginar que hoje há quem faça o mesmo trabalho tranqüilamente sentado, "dialogando" com um computador e sofisticadas imagens obtidas via satélite?.

Voltemos àqueles tempos. A construção de vias férreas ligando os portos às áreas economicamente interessantes do interior faziam parte de todos os programas Coloniais.

O Caminho-de-Ferro de Benguela, iniciado em 1903, progredira na sua rota para leste, do porto do Lobito em direcção ao Katanga, na colónia belga, não se afastando muito, afinal, dos trajectos das caravanas de longo curso que ligavam o interior da África central ao Atlântico, como bem reconheceu o engenheiro escocês Robert Williams (fundador da Benguela Railway Company).

Mas os construtores do CFB tiveram uma surpresa quando, em 1927, se preparavam para festejar a conclusão dos 1156 quilómetros de via férrea: a fronteira de Angola com o Congo foi alterada... e o comboio só chegou à nova fronteira (Tchipuica, km 1346), 190 quilómetros e mais de um ano depois, no inicio de 1929.

E vamos finalmente esclarecer o "caso" que originou esse desfecho, favorável a Portugal, do contencioso no leste de Angola. Na origem esteve também um projecto de via férrea, mas muito longe dali, na parte da colónia belga mais próxima do Oceano Atlântico.

Na Conferência de Berlim ficara garantido aos Belgas o acesso ao mar, pela foz do rio Zaire e um "corredor" terrestre ao longo da sua margem norte, tendo ficado para a colónia portuguesa de Angola, nessa região em disputa, a margem sul do rio (até Nóqui) e os territórios de Malembo Cabinda, no litoral a norte do rio.

Anos mais tarde, a importância crescente do porto de Matadi levou os Belgas a decidirem-se por um caminho-de-ferro que facilitasse a ligação de Matadi a Léopoldville (Kinshasa). Os engenheiros do projeto consideraram que o melhor caminho passava pelo vale do rio Mpozo, não muito longe de Nóqui - e a parte que lhes interessava, com menos obstáculos naturais, estava do lado de Angola. Esses poucos quilómetros eram valiosos para o projecto belga.

As negociações arrastaram-se durante anos, mas a troca acabou por fazer­se: uma Convenção luso-belga assinada em Luanda determinou que Portugal cedesse à Bélgica 3 km2 entre o rio Mpozo e o rio Duizi, e recebesse 350 krn2 a norte do lago Dilolo, entre o rio Cassai e o rio Luau. Foi a 22 de Julho de 1927.

Entre o estabelecimento da última fronteira colonial e a independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975, decorreram menos de cinqüenta anos.

Situada na região ocidental da África Austral, com uma superfície de 1 246 700 km2, Angola é um dos mais promissores destinos turísticos deste novo século, como já foi no passado longínquo, muito por mérito do seu potencial de recursos naturais.

A natureza foi generosa com esta terra, dotando-a de condições ideais para o desenvolvimento de um turismo pautado pela qualidade e adequado às exigências dos tempos vindouros.

Angola é detentora de 1.650 quilômetros de costa marítima, com inúmeras praias de areias brancas e águas deliciosamente cálidas, possuindo uma das mais ricas fauna e flora marinhas do continente africano.

Por essa razão, dispõe de invejáveis condições balneares, que favorecem a prática de todas as formas de desportos náuticos.

O país da Palanca Negra, como é conhecido, insere-se na região subtropical. No litoral, as temperaturas médias rondam os 30ºC no pico do verão, que se prolonga por nove meses, enquanto as regiões altas do interior possuem um clima mais temperado.

Os seus majestosos rios, navegáveis em centenas de quilómetros e rodeados de paisagens exuberantes, ricas em variadas espécies de animais, plantas e árvores espontâneas, exibem espectaculares cascatas e rápidos ao longo dos seus cursos. Trata-se de uma circunstância natural num país que tem cerca de sessenta e cinco por cento do território situado a uma altitude compreendida entre os mil e os mil e seiscentos metros.

Nas virgens e exuberantes florestas tropicais, nas grandes savanas e no deserto do extremo sul do litoral atlântico, encontram-se dezenas de áreas de protecção ambiental.

Os parques nacionais, as reservas florestais e as coutadas oferecem ao visitante todos os encantos do reino animal selvagem, como só África pode proporcionar. Neste habitat natural, os elefantes, os leões, as onças, as zebras, as girafas, os antílopes, os hipopótamos e as aves têm o domínio do território. 

No seu relevo montanhoso, de onde sobressaem os portentosos cumes da Maca, com 2.620 metros de altitude, no Planalto Central, descortinam-se portentosos recortes paisagísticos, próprios da África profunda, numa fantasia caprichosa da natureza que os olhos humanos jamais poderão esquecer.

Neste país africano multiétnico não faltam os tesouros da cultura e da tradição, patentes nas danças, sons e cores de uma autenticidade marcante, que exprimem a nobreza do seu povo, bem como os monumentos e sítios que retratam a sua história secular.

Luanda, cintilante capital angolana, procura refazer-se do desgaste provocado por um longo conflito armado, agora extinto, para reencontrar-se com a sua história. Considerada noutros tempos como a "pérola de África", preserva ainda hoje a traça original, em paralelo com o desafio do modernismo.

Cidade costeira onde culturas provenientes de todo o país e do Mundo se cruzam nas ruas e nos sons da música que lhes dá o ritmo da vida, nas centenas de locais de lazer, nos sabores dos deliciosos pratos que os seus restaurantes oferecem, no conforto dos seus hotéis, no movimento vibrante do trânsito automóvel..

Mas Angola é muito mais! É terra de gente orgulhosa de aqui ter nascido, que exibe uma generosa e espontânea alegria no acolhimento aos visitantes; é terra de gente trabalhadora e confiante num futuro de prosperidade, que acredita que o seu país será, num horizonte próximo, um dos mais promissores destinos turísticos na região.

..:: TOPO

 
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