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Desde a independência as relações entre Angola e o Brasil são boas, mas poderão melhorar mais ainda, como parte da estratégia traçada pelo novo governo brasileiro.
O próprio presidente Lula manifestou o propósito de privilegiar a cooperação com os vizinhos da América Latina e com os países africanos, sobretudo com os de língua portuguesa.
Em meados de fevereiro Lula reuniu-se em Brasília com os embaixadores dos países africanos de língua portuguesa para traçar dos novos moldes da cooperação.
Um dos presentes era o embaixador do Brasil em Angola, Jorge Taunay.
Uma área em que a cooperação já tem sido crescente é a da saúde, especificamente o combate à Aids. Um recente convênio assinado entre os ministérios da Saúde dos dois países permitiu a ida de especialistas brasileiros a Angola, para aplicar o modelo usado na Bahia, região cujas características populacionais mais se assemelham à realidade de Angola. Onze técnicos angolanos virão em seguida ao Brasil, pata fazerem treinamento. |
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A transferência da tecnologia e do know-how do programa brasileiro, considerado um dos melhores do mundo, e sem nenhum custo para Angola (a Fundação Microsoft vai destinar US$ 5 milhões para o combate à doença naquele país) foi assegurada em Brasília pelo ministro da Saúde, Humberto Costa, ao vice-ministro da Saúde angolano, José VanDúnem.
Com isso foi facilitada a entrada de mais recursos para o combate à Aids em Angola. Além da Microsoft, a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial já manifestaram interesse em financiar o programa em Angola, segundo José Van-Dúnem.
"Em função da credibilidade de todos envolvidos nesta fase de implementação do programa, os técnicos brasileiros têm encontrado muita facilidade em obter cooperação técnica e também financeira dos organismos mundiais ligados ao combate à Aids e também da indústria farmacêutica", disse o viceministro angolano.
O programa será acompanhado durante seis meses para se verificar a sua eficácia. Em seguida, como ressaltou José Van-Dúnem, se os resultados forem consistentes como ocorreu no Brasil, outros órgãos internacionais já contatados vão investir em Angola.
A cooperação está sendo dirigi da pelo especialista baiano Enádio Moraes Filho e pelo diretor do Instituto do Coração, da Fundação Zerbini e da Casa da Aids em São Paulo, professor David Uip, que foi recebido em Luanda em audiência pelo presidente angolano, José Eduardo dos Santos, com o qual conversou sobre o programa em andamento.
David Uip explicou que na primeira etapa pretende-se interromper a transmissão do vírus de mãe para filho. "Nós temos números iniciais que mostram que temos de intervir para interromper imediatamente a transmissão da Aids de mãe para filho". A fase posterior prevê dar continuidade ao programa de sangue seguro, permitindo assim o controle de outras doenças, como a sífilis, o tripanossoma africano e as hepatites B e C.
Por sua vez, o vice-ministro da Saúde, José Van-Dúnem, disse que a esperança é que agora está se fazendo uma intervenção mais ampliada e aumentando a educação, o envolvimento das famílias e nos campos de deslocados. "Isso faz-nos pensar que a resposta vai ser muito maior", previu o Vice-Ministro da Saúde. |